Posts marcados como mulheres

Bando de mulher recalcada

Uma das muitas coisas que eu sou completamente incapaz de entender: as mulheres modernas. Estamos em 2012 e – fim do mundo ou não – as mulheres continuam com mentalidade tacanha, fazendo discursos patéticos, repletos que queixas que considero dignas de piadas há mais de 50 anos. Quanto mais eu vejo o comportamento médio, mais eu me choco. Não consigo parar de repetir: bando de mulher recalcada.

Não, eu não estou falando das minhas amigas, porque né, gente, tenho um mínimo de critério pra chamar de amiga. Estou falando das toneladas de compartilhamentos em Facebook, Twitter, Tumblr e blogs. São mulheres com quem tenho baixo envolvimento, mas que representam o valor médio da sociedade. Não entendo certas linhas editoriais e argumentos, como por exemplo…

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O que você vai ser quando você crescer?

Como eu disse outro dia no Purpurina, sou desprovida de conceito de classe. Carrego uma implicância nata com comportamentos e ideias tipicamente femininos. Nunca aceitei, por exemplo, as Marias: Maria-gasolina, Maria-chuteira, Maria-palheta. Eis que descobri o top of tops das marias – Maria-pagerank – e pronto, toda minha capacidade de compreensão sobre as mulheres e seus objetivos se esgotou sem esclarecer porríssima nenhuma.

Eu até consigo encontrar justificativas para alguns casos. Veja, a Maria-gasolina quer o conforto de alguém que vá buscá-la em casa, a Maria-chuteira quer a boa vida de um jogador de futebol, a Maria-palheta fica em camarotes e nos dois últimos casos subentende-se um certo ar de celebridade pelo qual as mulheres se encantam. Na ponta do lápis, essas opções um dia podem significar um marido com grana e vida confortável, ok, aceito. (confesso inclusive que já tive minhas fases de Maria-palheta)

Agora alguém me explica uma Maria-pagerank, pelamordedeus? Blogueiros não são celebridades, no máximo aparecem no 1 contra 100 (sem querer ofender o Inagaki). Blogueiros também não são ricos, os que são probloggers hoje levam uma vida de classe média alta. Então qual é a vantagem, hein? Torcer pro cara fazer um post com link para o blog da namorada, que resulte em muitos acessos e quem sabe alguns cliques no Adsense? Entrar em eventos tops de coisas altamente geeks que dificilmente mulheres interesseiras gostam? Não é muita mediocridade? Porque na boa, a maioria das pessoas não faz a menor idéia quem diabos é o Cardoso ou o Interney.

Eu acho que uma Maria-pagerank pode até conquistar um problogger e ser feliz com o cara pela vida inteira – ou enquanto houver Adsense. O que eu não sei é porque fazer disso um objetivo. É deprimente.

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Purpurinas, plumas e paetês

Você adora eles, né? – Ainda outro dia minha avó veio comentar comigo, assim que cheguei em casa depois da visita de dois amigos gays. Adoro, amo, super adoro. Porque existem pessoas com quem eu posso dizer que não sou obrigada, gente com quem eu saio para bater leque, gente que me chama de racha e nem ofende, que eu chamo de viado e tá tudo certo, pessoas pelas quais eu sou completamente apaixonada.

Existem várias razões para sair com eles/elas: as melhores músicas eletrônicas tocam nas boates GLS, é divertido ser invisível às vezes, gays são invariavelmente mais engraçados do que heteros, mas existe uma razão superior e acho que é justamente consequência de sua opção sexual: gays são mais felizes.

Veja, a sexualidade é um dos maiores moldes do ser humano. Uma pessoa homossexual já enfrentou a si mesma para ter certeza, os amigos para se adaptar, a família para se sentir bem e o mais foda: encara uma sociedade hipócrita todo santo dia, tendo poucos momentos para ser livre de fato. Alguém que encara tudo isso é, sem sombra de dúvida, alguém que tem muito estômago e se consegue manter o bom humor, é uma boa razão para eu querer tê-los por perto. Eles/elas, emanam alegria, me fazem rir a noite inteira, me contam babados que ninguém mais saberia (e que de nada me servem, mas muito me divertem).

Eu amo esse povo das purpurinas, plumas e paetês, acho mesmo que cada pessoa deveria ter pelo menos um amigo gay. Para encarar a vida de um jeito muito melhor. E homem que tem preconceito com viado sempre me faz pensar se não quer manter distância justamente por medo de gostar… Um amigo gay é uma lição de vida. Ou duas. Ou mais até. Digo tudo isso por amor, devoção e gratidão.

p.s.: o que eu digo se aplica a homens e mulheres homossexuais, apesar de os meus amigos serem em sua maoria homens.

ãpideite: Lembrei que já tinha escrito um post sobre as escolhas homossexuais, que até possui um tom de escrita mais tenso. Clique aqui para ler os velhos arroubos desta blogueira. Ainda penso da mesma forma, mas hoje escolheria outras palavras. Deve ser por causa da idade.

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Um bonde chamado desejo

Nasci mulher e cresci assombrada pelas claras diferenças de papéis entre os sexos. Porque posso ser chamada de muitas coisas, mas nunca de mulherzinha burguesinha – inclusive invejo o gênero de vez em quando. Sei que o mundo é moderno e nós mulheres tomamos espaço. Trabalho no marketing de uma multinacional onde somos cinco mulheres e dois homens, sei bem. Mas direito a voto, respeito depois do divórcio, posicionamento no mercado de trabalho – ainda que com salários menores – são conquistas já meio velhinhas e depois delas necas de pitibiribas.

Nós mulheres conquistamos direitos sociais sem dar nenhum passo nos direitos morais. Podemos tudo, menos ter o bendito do desejo. Uma mulher pode fazer muitas coisas quando quer, menos sexo. Ainda é feio olhar para um homem e querer dormir com ele naquela noite. Podemos dormir com uma mulher, mesmo porque todo mundo vai pensar que ela é sua amiga. Nem sempre, esclareço. Na prática, nós mulheres só podemos desejar alguém em segredo.

Em jogos da verdade, gosto de perguntar se “seus desejos passam por cima dos seus valores ou seus valores sobre seus desejos?”. Quase toda mulher responde que os valores são maiores, mais da metade delas eu sei que está mentindo. O que na verdade me levaria a duvidar dos jogos da verdade, mas prefiro deixar isso para um post exclusivo. Se tem algo que desejo, desejo desejar em paz, sem julgamentos. E que me chame de exagerada o primeiro hipócrita que ler isso aqui.

Post para Tertúlia Virtual, por idéia copiada do Vavá e nome de filme, pura e simplesmente porque de fato, o desejo é um bonde que passa por cima de mim.

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