Posts marcados como feminismo

Bando de mulher recalcada

Uma das muitas coisas que eu sou completamente incapaz de entender: as mulheres modernas. Estamos em 2012 e – fim do mundo ou não – as mulheres continuam com mentalidade tacanha, fazendo discursos patéticos, repletos que queixas que considero dignas de piadas há mais de 50 anos. Quanto mais eu vejo o comportamento médio, mais eu me choco. Não consigo parar de repetir: bando de mulher recalcada.

Não, eu não estou falando das minhas amigas, porque né, gente, tenho um mínimo de critério pra chamar de amiga. Estou falando das toneladas de compartilhamentos em Facebook, Twitter, Tumblr e blogs. São mulheres com quem tenho baixo envolvimento, mas que representam o valor médio da sociedade. Não entendo certas linhas editoriais e argumentos, como por exemplo…

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Bandeiras Rotas II

Estava conversando com a Claudia Regina sobre milhões de coisas e ela acabou citando o texto de uma blogueira, que continha a seguinte máxima: entre outros motivos, a autora vota na Dilma Rousseff porque a dita cuja é mulher; como uma ação afirmativa do movimento pela igualdade de direitos e oportunidades da mulheres – leia-se movimento feminista. Pronto, entrei em cólicas.

Para começo de conversa, porque este argumento reúne expressões que me irritam até a alma: “ação afirmativa”, “movimento” no sentido de organização social e “feminista”. E para continuar, o significado de toda a frase. Como alguém consegue basear uma decisão tão importante em um argumento tão medíocre? Ou pior: como uma mulher pode considerar o feminismo importante a tal ponto?

O que mais me incomoda no discurso feminista é o mesmo que me incomoda no discurso antirracista, sua absurda inversão de valores. Por exemplo: nos tempos áureos do pagode brasileiro, alguns nomes se tornaram muito famosos: Raça Negra, Negritude Júnior, Só Preto Sem Preconceito. Até aí tudo bem, mas o que aconteceria se criássemos bandas com os nomes Raça Branca, Branquitude Júnior, Só Branco Sem Preconceito? Haveria um verdadeiro chilique midiático por conta disso, por considerar preconceito, quem sabe até uma acusação de neo-nazismo.

O discurso feminista se utiliza das mesmas ferramentas: palavras de valorização, mobilização, etc, etc, etc. Uma mulher pode dizer “eu sou foda porque sou mulher”, é sua forma de ostentar sua igualdade. Um homem, por sua vez, não pode usar uma frase semelhante. Ele imediatamente será acusado de machismo, de querer se dizer superior às mulheres.

Da mesma forma: existe orgulho gay, mas arrisque fazer uma adesivo escrito orgulho hetero para ver. Você será sumariamente acusado de ser homofóbico!

Isso é um absurdo injustificável, um complexo de inferioridade que sempre vai endossar qualquer preconceito que sofram, porque há nestes grupos (negros, mulheres, gays) uma mediocridade de espírito que faz com que mereçam cada grama de preconceito que sofrem.

Eu não voto na Dilma. Não votaria nela em nenhuma circunstância, nem mesmo se ela fosse mulher, negra e gay. Isso não é critério digno de respeito. Para mim, nunca será.

Há seis anos eu escrevi um post explicando porque sou contra o feminismo, é curioso ver que nada mudou no que penso sobre o movimento, justamente porque seu discurso me parece muito mais digno de deboche do que de concordância.

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Ser mulher é degradante

Em um dos meus blogs, fiz um post sobre os gays no bbb e um amigo deixou um comentário que me fez parar pra pensar:

“sempre lembro da musica da Madonna nesse momento: se uma menina resolve se vestir como homem, tudo bem, mas se um menino resolve se vestir como mulher é degradante, pq ser mulher é degradante!”

Então me vi na obrigatoriedade de concordar, de certa forma, ser mulher muitas vezes é degradante sim. E como sempre existem os defensores do mundo moderno e tolos que acreditam que todas as pessoas se tratam como iguais, vamos aos argumentos:

1. Existe diferenciação no mercado de trabalho, homens ganham mais do que mulheres que exercem a mesma função. Não argumente comigo, o IBGE que disse.

2. As feministas e suas ideias estúpidas de queimar sutiã conquistaram… a obrigatoriedade de trabalhar. A menos que a mulher seja a Paris Hilton ou o marido seja milionário. E ainda assim. Apesar disso, ainda é responsabilidade da mulher cuidar da casa. Por alguma estranha razão, homens consideram que lavar a louça e tirar o lixo se equivale à lista do restante: lavar e passar roupas, faxinar a casa (banheiro incluso), cozinhar, saber minuciosamente onde está tudo e manter tudo em ordem.

3. Mulher: vá a um churrasco familiar e tente chegar perto do clube do bolinha ao redor da churrasqueira. Se for bem-vinda, por favor, me convide para o próximo.

4. Homens têm licença social para jogar futebol e sair com amigos para beber, talvez para mentir também. Mulheres não.

5. Falando em código social, mulheres não podem falar de sexo abertamente, me atrevo a achar que nem gostar de sexo a gente pode.

6. Trair faz parte da natureza do homem, acontece. Mulheres não podem trair, isso é errado.

7. Pega mal pra caralho uma mulher chegar aos 30 anos solteira, precisa pelo menos um namoro sério.

De tudo isso, sei que as mulheres são culpadas – ou, no mínimo, cúmplices. Não estou levantando bandeiras contra estes ou aqueles, só enumerando fatos. É foda ter que admitir, mas se for pensar bem, homens e mulheres acham que ser mulher é degradante.

Em tempo: não venham me dizer coisas do tipo “credo, em que meio você vive?” Olhe pra esses argumentos e pense no grupo de colegas de trabalho ou na sua família. Porque os amigos obviamente a gente escolhe aqueles que pensam como a gente.

Quanto a mim, eu sei que não estou abaixo dos homens, só que eu não posso dizer que não vejo isso acontecer. Pessoalmente, eu cago pro código social e por isso mesmo consigo bater recordes, fico à margem dos grupos de homens e de mulheres.

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Esse mundo tá perdido

Há dez anos, colegas de escola grávidas no segundo grau (ensino médio, pra quem é sub20) viravam o centro das atenções. Era chá de bebê no recreio, paparicação com a barriga alheia, mas principalmente era o assunto mais comentado por meses. Se iam casar ou não, se já tinham contado pra família, como reagiram, etc. Mas isso faz 10 anos.

Há dois anos, meu primo de 14 anos engravidou a namorada de 16. O relacionamento acabou, mas algo perfeito existe: Alice, que já tem um ano e pouco, anda, fala, resmunga, chora no banho e é uma fofa. Meu orkut sempre ostenta vídeos dessa jacuzinha que eu amo de paixão.

Há poucos dias, uma amiga me ligou e disse: vou ser avó. Eu fiquei muda, não conseguia nem imaginar qual dos quatro filhos dela estava “grávido”. Dos filhos, uma menina tem 19 anos, outra 17, um garoto de 14 e mais uma de 12. Minha primeira lógica foi pensar no garoto, porque no primeiro impulso excluí as duas mais velhas… Eu estava enganada, a mais velha está grávida.

Se há 10 anos eu já achava um absurdo, hoje eu não consigo imaginar como ou porque essas coisas acontecem. Como é possível uma mulher feita não saber se cuidar? Eu acho que esse ponto é meu único discurso feminista: quem tem que ter camisinha na bolsa é a mulher. Por quê? Simples: porque a vida que vai mudar drasticamente, quem vai abrir mão de diversão, perder noites de sono, encarar fila de creche e ter sérios problemas com trabalho/estudo, além de uma grande despesa adicional? A mulher, lógico. O homem pode duvidar, viajar, pode fugir de umas trezentas formas diferentes, mas a responsabilidade da mulher é inevitável.

Como é que pode? O quem na cabeça essa geração que tem educação sexual na escola, tem acesso a camisinha, pílula anticoncepcional e não usa? Já diz minha avó, esse mundo tá perdido…

p.s.: não tenho nada contra bebês, produções independentes ou filhos sem casamento, só acho que gravidez e filhos não podem ocorrer por acidente.

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