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Bando de mulher recalcada
Uma das muitas coisas que eu sou completamente incapaz de entender: as mulheres modernas. Estamos em 2012 e – fim do mundo ou não – as mulheres continuam com mentalidade tacanha, fazendo discursos patéticos, repletos que queixas que considero dignas de piadas há mais de 50 anos. Quanto mais eu vejo o comportamento médio, mais eu me choco. Não consigo parar de repetir: bando de mulher recalcada.
Não, eu não estou falando das minhas amigas, porque né, gente, tenho um mínimo de critério pra chamar de amiga. Estou falando das toneladas de compartilhamentos em Facebook, Twitter, Tumblr e blogs. São mulheres com quem tenho baixo envolvimento, mas que representam o valor médio da sociedade. Não entendo certas linhas editoriais e argumentos, como por exemplo…
Manifesto pelo direito de não comentar
Entre as muitas “linhas editoriais” de blog, me interesso pouquíssimo pelos diarinhos e minha favorita é a que eu escrevo – acabo definindo como um blog reativo. Considero que o melhor recurso da blogosfera é deixar que qualquer um seja um pequeno Arnaldo Jabor, mesmo que muitos sejam meros agitadores de mesa de bar – como eu. Peço licença aos blogueiros ficcionais que matam a pau quando colocam seu teclado à serviço da imaginação, ficção é uma categoria à parte. Um tesão de categoria, diga-se de passagem, mas muito mais sujeita ao gusto do leitor.
Para ser reativo, é preciso estar informado. É fácil colar no blog um vídeo pronto, é fácil contar uma historinha de trabalho ou debochar de uma notícia, é fácil publicar piadas recebidas por e-mail. Fácil pra caralho. Foda é produzir conteúdo, colocar a sua opinião, baseada em pelo menos três fontes de informação. Exige tempo e dedicação. É preciso entender a relevância de cada assunto antes de escrever e ainda assim reavaliar antes de publicar.
Por outro lado, blog é um negócio totalmente pessoal, o blogueiro define relevância. E é aí que mora o problema. Eu defino o que eu quero escrever aqui, eu escolho o assunto e o tom do comentário. Só que socialmente, tem uma galera disposta a julgar. E a minha opinião sobre um monte de assuntos é controversa, por isso em diversos momentos eu decido não opinar.
Eu exijo meu direito de não falar do caso da UNIBAN, apesar de achar que o vídeo do Cardoso matou a pau. Eu exijo meu direito de me calar sobre o novo apagão, por preguiça de falar mal do Lula e ter que aturar os defensores do nosso medíocre presidente. Eu exijo meu direito de não falar do novo orkut, porque já tenho e não achei grandescoisa. Eu exijo meu direito de não ter que explicar minhas piadas de mau gosto, por pior que elas sejam. Eu exijo meu direito de ser uma blogueira livre da polícia moral. Eu exijo meu direito de escrever palavrões no meu blog. Eu exijo meu direito de ser quem eu sou sem ter que ficar avisando.
Eu só exijo tudo isso porque acabo vendo um monte de gente na web querendo a democracia, a popularidade, o politicamente correto. E como eu aviso ali ao lado, este blog é uma ditadura, em que valorizo meus poucos leitores e escrevo minha opinião, seja ela qual for, quando me dá vontade. Não existe pauta obrigatória, minha linha editorial é totalmente anarquista, mesmo que minha visão política seja de direita.
Síndrome de Colégio
Trabalhei algumas semanas na organização de um evento de segurança do trabalho, com profissionais qualificados na plateia e palestrante internacional. Poucos minutos antes de começar, já com a sala cheia, reparei na síndrome de colégio que as pessoas carregam pela vida inteira. Cada mesa do evento tinha três lugares, lado a lado, e nós dispusemos os materiais em quase todas, deixando as últimas para nossa equipe. O público foi chegando e escolhendo os lugares: primeiro os do fundo, nas laterais – o mais longe possível do palestrante. Quase todos os lugares estavam ocupados, exceto os mais próximos. Um retardatário chegou, olhou os lugares disponíveis, pensou um pouco, girou nos calcanhares e saiu, ficou se enrolando até o início do evento. Aí sim desistiu e sentou na primeira fila.
Uma sala de eventos em um hotel de alto-padrão cheia de adultos que foram ouvir algo de seu interesse, eles mesmos se inscreveram e ainda assim os meninos não superam o hábito de evitar o “professor”. Ainda tem mais: as mulheres, apenar três, sentaram juntas. Não se conheciam, nunca se viram na vida, mas automaticamente se sentaram lado a lado, nos locais mais próximos do palestrante.
Dá para fazer um verdadeiro livro sobre comportamento social com essas informações. Por razões incompreensíveis, as pessoas se esquivam de quem tem algo a ensinar, mesmo que seja do próprio interesse aprender. Um medo bizarro de falar em público e, quando falam, geralmente se fazem ouvir somente até a segunda fila, às vezes o palestrante quem que pedir para repetir! Sempre me pergunto: qual será o trauma que as pessoas carregam para nunca estarem interessadas em levantar a mão e fazer uma pergunta, contar uma história ou fazer um comentário sobre o assunto? Só pode ser síndrome de colégio…



