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	<title>Lomyne&#039;s in tha house &#187; política</title>
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	<description>um blogzinho azul sem importância</description>
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		<title>Ideias que eu trouxe na mala</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2011 13:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[diarinho]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Há três semanas, eu viajei. Parti em busca de tantas coisas que talvez a digestão de todas elas ainda vá render uma série de posts. Voltei com algumas respostas e muitas perguntas. A resposta que me leva a escrever, lamento informar, não é nenhuma grande descoberta para a evolução humana, apenas uma constatação que me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há três semanas, eu viajei. Parti em busca de tantas coisas que talvez a digestão de todas elas ainda vá render uma série de posts. Voltei com algumas respostas e muitas perguntas. A resposta que me leva a escrever, lamento informar, não é nenhuma grande descoberta para a evolução humana, apenas uma constatação que me faz relaxar.</p>
<p>Semana passada, ainda no Rio de Janeiro, estava saindo da casa do <a href="http://jurisimprudentia.wordpress.com/" target="_blank">Alan</a> conversando com o <a href="http://eusoqueriaestudar.wordpress.com/" target="_blank">João Márcio</a>. A união homoafetiva tinha acabado de ser aprovada e obviamente os assuntos daquela noite orbitavam a esfera política. A certa altura, eu admiti: <i>&#8220;O grande problema, João, é que eu não acredito no sistema político.&#8221;</i> A conversa prosseguiu por outros caminhos, certas informações me fizeram dar um pouco mais de crédito ao PT etc e tal.</p>
<p>Hoje, repensando algumas coisas, voltei naquela frase e cheguei a uma conclusão: eu sou anarquista, isso sim. Porque não acredito no Estado como regulador de direitos, nem como administrador de patrimônio e menos ainda em juízos de valor moral que sirvam a todos. Sou plenamente a favor do livre arbítrio &#8211; e de todos os riscos dele derivado.</p>
<p>Isso não muda absolutamente nada para o mundo ou sequer para as pessoas que me cercam. O que muda é a minha serenidade daqui pra frente em discordar. Porque discordar, caros garrafeiros, é a minha natureza e sempre me leva à máxima que rege cada pensamento e gesto meu: <i>&#8220;Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.&#8221;</i></p>
<p>Um beijo pro Voltaire e outro pra cada pessoa que já discordou de mim.</p>
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		<title>Bandeiras Rotas II</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2010 19:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava conversando com a Claudia Regina sobre milhões de coisas e ela acabou citando o texto de uma blogueira, que continha a seguinte máxima: entre outros motivos, a autora vota na Dilma Rousseff porque a dita cuja é mulher; como uma ação afirmativa do movimento pela igualdade de direitos e oportunidades da mulheres &#8211; leia-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava conversando com a <a href="http://twitter.com/claudiaregina" target="_blank">Claudia Regina</a> sobre milhões de coisas e ela acabou citando o texto de uma blogueira, que continha a seguinte máxima: entre outros motivos, a autora vota na Dilma Rousseff porque a dita cuja é mulher; como uma ação afirmativa do movimento pela igualdade de direitos e oportunidades da mulheres &#8211; leia-se movimento feminista. Pronto, entrei em cólicas.</p>
<p>Para começo de conversa, porque este argumento reúne expressões que me irritam até a alma: &#8220;ação afirmativa&#8221;, &#8220;movimento&#8221; no sentido de organização social e &#8220;feminista&#8221;. E para continuar, o significado de toda a frase. Como alguém consegue basear uma decisão tão importante em um argumento tão medíocre? Ou pior: como uma mulher pode considerar o feminismo importante a tal ponto?</p>
<p>O que mais me incomoda no discurso feminista é o mesmo que me incomoda no discurso antirracista, sua absurda inversão de valores. Por exemplo: nos tempos áureos do pagode brasileiro, alguns nomes se tornaram muito famosos: Raça Negra, Negritude Júnior, Só Preto Sem Preconceito. Até aí tudo bem, mas o que aconteceria se criássemos bandas com os nomes Raça Branca, Branquitude Júnior, Só Branco Sem Preconceito? Haveria um verdadeiro chilique midiático por conta disso, por considerar preconceito, quem sabe até uma acusação de neo-nazismo.</p>
<p>O discurso feminista se utiliza das mesmas ferramentas: palavras de valorização, mobilização, etc, etc, etc. Uma mulher pode dizer &#8220;eu sou foda porque sou mulher&#8221;, é sua forma de ostentar sua igualdade. Um homem, por sua vez, não pode usar uma frase semelhante. Ele imediatamente será acusado de machismo, de querer se dizer superior às mulheres.</p>
<p>Da mesma forma: existe <em>orgulho gay</em>, mas arrisque fazer uma adesivo escrito <em>orgulho hetero</em> para ver. Você será sumariamente acusado de ser homofóbico!</p>
<p>Isso é um absurdo injustificável, um complexo de inferioridade que sempre vai endossar qualquer preconceito que sofram, porque há nestes grupos (negros, mulheres, gays) uma mediocridade de espírito que faz com que mereçam cada grama de preconceito que sofrem.</p>
<p>Eu não voto na Dilma. Não votaria nela em nenhuma circunstância, nem mesmo se ela fosse mulher, negra <strong>e</strong> gay. Isso não é critério digno de respeito. Para mim, nunca será.</p>
<p>Há seis anos eu escrevi um <a href="http://house.lomyne.com/2004/09/bandeiras-rotas/" target="_blank">post</a> explicando porque sou contra o feminismo, é curioso ver que nada mudou no que penso sobre o movimento, justamente porque seu discurso me parece muito mais digno de deboche do que de concordância.</p>
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		<title>Os idiotas e o aborto</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 18:39:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu gosto de política. Muito. E eu não sou exatamente uma ingênua no assunto. A questão é que o debate anda no nível das paixões e teorias conspiratórias: e-mails falsos, fofocas, e por aí vai. Eu considero que esse nível de debate é medíocre, e o mais grave é que a mediocridade do discurso se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu gosto de política. Muito. E eu não sou exatamente uma ingênua no assunto. A questão é que o debate anda no nível das paixões e teorias conspiratórias: e-mails falsos, fofocas, e por aí vai. Eu considero que esse nível de debate é medíocre, e o mais grave é que a mediocridade do discurso se espalha por todos os lugares, parte de quase todas as pessoas, independente de religião ou nível de instrução.</p>
<p>Agora, o ponto crucial do debate é o aborto. E se discute o valor da vida, da crueldade, da religião, dos valores morais e chega que essa merda tá passando dos limites, né? Como crianças que brigaram no recreio, os dois lados se acusam.</p>
<p>Porque colocar a religião no cerne do debate sobre aborto? Favor verificar qualquer doutrina religiosa: quem vai pro inferno – ou coisa parecida – é a mãe da criança, no máximo o pai e o médico responsável. Mas olha gente, dica: o presidente que sanciona a lei <strong>não</strong> vai pro inferno por isso, nem o ministro da saúde, viu?</p>
<p>Aí eu pergunto: o certo é o quê? Obrigar uma mulher a levar até o fim a gravidez de um bebê acéfalo ou do fruto de um estupro? Deixar o aborto na ilegalidade, para que milhares de mulheres morram ou sofram danos gravíssimos em fundos de quintal?</p>
<p>É tão absurdo misturar as leis e a saúde pública com a religião! Para começo de conversa, estamos em um país laico. E para encerrar o assunto, porque os religiosos são tão contra a legalização do aborto? Afinal, se a legislação permitir o aborto, qual é o risco? Mais mulheres abortarem?</p>
<p>No fundo, acho que o medo dos religiosos é ter que admitir que as pessoas tem mais medo das leis dos homens do que das leis de Deus. Eu até me atreveria a dizer que o objetivo destes religiosos é acabar com o livre-arbítrio!</p>
<p>À propósito, eu não faria um aborto, por conta dos meus valores, da minha religião. Entretanto, considero a ilegalidade perigosa demais para as gestantes. Quase tão perigosa quanto sacerdotes-ditadores.</p>
<p>E que derrube meus argumentos alguém aí que faça sexo somente com finalidade reprodutiva. Não pode ser divorciado e se for solteiro tem que ser virgem. <em>Vou esperar sentada.</em></p>
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		<title>Cinema, política e ética</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 14:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[2010 começou com a estreia do filme do Lula nos cinemas, o que já é bem discutível. Tenho amigos dizendo que o Lula não é candidato a nada e que isso não tem nada a ver, mas ainda assim, que lançassem em novembro e tudo estaria resolvido. O cinema brasileiro tem o hábito de engavetar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2010 começou com a estreia do filme do Lula nos cinemas, o que já é bem discutível. Tenho amigos dizendo que o Lula não é candidato a nada e que isso não tem nada a ver, mas ainda assim, que lançassem em novembro e tudo estaria resolvido. O cinema brasileiro tem o hábito de engavetar lançamentos por muito tempo mesmo&#8230; </p>
<p>Às vésperas do lançamento do filme em dvd (programado para 12 de abril), as videolocadoras planejam um boicote, alegando que desde 2005 a pirataria aumentou em 100% e o presidente tem sido negligente neste aspecto. Lembraram também o fato de que o Lula admitiu ter visto 2 Filhos de Francisco antes do lançamento oficial, ou seja, assumiu publicamente que consome pirataria. </p>
<p>Diante de tudo isso, eu não consigo perceber exatamente quem é que está mais errado. Uma produtora de cinema que lança o filme sem pensar na representatividade do seu personagem principal? Isso me parece o absurdo do oportunismo, assim como a própria idéia do filme. Se fosse um projeto isento, seria feito depois que o Lula saísse do poder. Ou melhor ainda, depois de aposentado.</p>
<p>Talvez o mais errado seja o presidente, que entre muitas características é famoso pela sua inocência providencial: <i>não sei, não vi, falei sem querer</i> e por aí vai. O político que permite o lançamento de um filme biográfico em ano de eleição merece ter sua ética questionada. Não, ele não é candidato. E daí? Daí que é exploração da imagem sim e o oportunismo é ba-ca-na!</p>
<p>Ou ainda posso duvidar das locadoras justificando o boicote com um argumento pífio. Porque impedir o filme de chegar às locadoras só vai aumentar a pirataria. As pessoas querem ver o filme e estão no direito delas. Se não puderem alugar, o mercado negro resolve. Ou seja, farão canibalismo de seu mercado só por birra política. </p>
<p>E aí, será que alguém está certo nisso? Definitivamente não.</p>
<p><span style="font-size:8pt; font-style:italic;">Veja a notícia do boicote <a href="http://bit.ly/9k6wfY" target="_blank">aqui</a>.</span></p>
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		<title>Humor tem limite?</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 13:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu sou uma fã do Custe o Que Custar, divido minhas noites de segunda-feira entre meus dois queridinhos: o RodaViva e o programa da Band, mas isso não quer dizer que concorde em número, gênero e grau com tudo que é dito nos dois programas. Se por um lado às vezes me deparo com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou uma fã do <a href="http://www.band.com.br/cqc/" target="_blank">Custe o Que Custar</a>, divido minhas noites de segunda-feira entre meus dois queridinhos: o <a href="http://www.iptvcultura.com.br/rodaviva/" target="_blank">RodaViva</a> e o programa da Band, mas isso não quer dizer que concorde em número, gênero e grau com tudo que é dito nos dois programas. Se por um lado às vezes me deparo com o RodaViva tratando imbecis como se fossem gente séria, muitas vezes me pergunto se é justo tratar sempre como bobos os caras do CQC. </p>
<p>Eu considero humor o ingrediente mais básico da vida, não consigo imaginar passar sequer um dia sem dizer bobagens e fazer piadas – embora os amigos e colegas de trabalho às vezes achem que eu devia aliviar um pouco. Todo mundo pode dizer coisas sérias com humor, seriedade não é sinônimo de rabugice. E honestamente acho que fazer jornalismo com humor é uma boa forma de fazer com que mais pessoas ouçam/vejam. Entendo também que nem todo mundo tem meu senso de humor sórdido, para ser capaz de rir de qualquer coisa, inclusive de si mesmo.</p>
<p>O que eu não entendo é como chegamos ao ponto de dois repórteres do CQC terem sido agredidos fisicamente na mesma semana, enquanto trabalhavam em ambientes nos quais deveriam ser respeitados. Danilo Gentili foi derrubado por seguranças do Sarney em uma tentativa de entrevistar o senador (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u589257.shtml" target="_blank">aqui</a>). Felipe Andreoli foi agredido na porta do estádio do Internacional pouco antes da final da Copa do Brasil (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u590262.shtml" target="_blank">aqui</a>). </p>
<p>Eu sei que hoje à noite o pessoal do CQC fai fazer piada e levar de boa este tipo de coisa, como já deram a entender nas notícias. O que eu não sei é se é justo agredir aqueles que vivem de humor, porque eu creio que bom-humor é coisa muito séria. A não ser que todo mundo resolva virar um bando de bobo pau no cu que só sabe rabugentar e disso eu passo a vez.</p>
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		<title>De vez em quando</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 17:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se tem uma coisa notável nos quase oito anos de Governo do Presidente Lula, é o talento para falar. Falar muito, sobre tudo, sempre que pode. E esse talento se estende a todo o alto escalão. Algumas vezes eu já disse aqui mesmo no blog que o Lula seria um presidente bem melhor se fosse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se tem uma coisa notável nos quase oito anos de Governo do Presidente Lula, é o talento para falar. Falar muito, sobre tudo, sempre que pode. E esse talento se estende a todo o alto escalão. Algumas vezes eu já disse aqui mesmo no blog que o Lula seria um presidente bem melhor se fosse mudo. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto&#8230; quando se fala muito, acaba que de vez em quando alguém diz algo que realmente vale a pena. Foi o que aconteceu essa semana, no programa <a href="http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva/" target="_blank">Roda Viva</a> da segunda-feira (22), com Celso Amorim, ao responder uma pergunta do Mac Margolis, correspondente da <a href="http://www.newsweek.com.br/" target="_blank">Newsweek</a>. Não lembro os termos exatos da pergunta, que tratava sobre o Irã e o gringo esperto achou por bem perguntar porque o governo brasileiro ainda não tinha se pronunciado pela segunda vez acerca da situação do país. Mas a resposta, essa eu lembro exata, porque me dei ao trabalho de anotar na hora: <i>&#8220;Os Estados Unidos tem a tradição de opinar sobre a situação interna de outros países, o Brasil não tem essa tradição.(&#8230;) Sobretudo, não temos essa pretensão de superioridade moral que certos países tem de dizer como as coisas tem que ser na terra dos outros.&#8221;</i></p>
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		<title>E eu? Ou melhor, e nós?</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 20:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<category><![CDATA[conversa de bar]]></category>

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		<description><![CDATA[Fato um: O governo brasileiro teve uma atitude louvável nestes tempos de crise em nome da evolução da economia. Redução de IPI dos produtos de linha branca (geladeira, fogão e companhia) e de automóveis. Três itens bobos vão cobrir a diferença: o cigarro, as bebidas alcoólicas e o combustível. Ou seja, vamos pagar a conta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b>Fato um:</b> O governo brasileiro teve uma atitude louvável nestes tempos de crise em nome da evolução da economia. Redução de IPI dos produtos de linha branca (geladeira, fogão e companhia) e de automóveis. Três itens bobos vão cobrir a diferença: o cigarro, as bebidas alcoólicas e o combustível. Ou seja, vamos pagar a conta do mesmo jeito. Bacana, né? Eu não vou nem entrar nos méritos de quão absurdo é você reduzir IPI de carro e aumentar o do combustível, porque tenho preguiça de paradoxos. </p>
<p><b>Fato dois:</b> Lei anti-fumo em São Paulo proibe o fumo em qualquer lugar fechado a partir de agosto de 2009. Isso inclui bares, boates, hotéis, além de proibir o cigarro como recurso cênico &#8211; diretores de teatro e cinema terão de pedir autorização governamental para que alguém fume em local fechado, seja no palco ou numa cena de filme. Sério, até na ficção é proibido fumar. A lei responsabiliza os estabelecimentos, não os fumantes; as punições são multas e interdição do local por até 30 dias. Esta nobre inovação legal inclui a criação de um programa para aqueles que quiserem parar de fumar. </p>
<p><b>Parâmetros:</b> bebidas alcoólicas e cigarros são drogas, não vou discutir com o dicionário. Só que socialmente falando elas são consideradas de formas distintas. É raro quem não beba nada alcoólico nunca e o hábito de beber todo final de semana não é considerado dependência, mesmo que se beba até cair. Em contrapartida, todo fumante é considerado um dependente. Se você acende um cigarro, é chamado fumante, se toma uma cerveja não é chamado alcoólatra (até porque <i>alcoolente</i> fica feio que dói).</p>
<p>O vício fica mais caro e cada vez mais limitado, os programas antitabagistas mais poderosos. Se é para diminuir o número de fumantes, porque não proibir de uma vez, tornar ilícito? Parece que é mais fácil coibir os fumantes do que combater essa indústria milionária. Antes que venha alguém deixar uma garrafa em nome da saúde, é claro que eu sei que o cigarro faz mal, claro que eu sei que meu cabelo não é o mais cheiroso do mundo, sei também que os não-fumantes se sentem incomodados, sei de tudo isso. Eu e todos os outros fumantes sabemos. A pergunta certa é vocês acham que os fumantes vão deixar de fumar ou deixar de ir aos lugares com proibições?</p>
<p>Eu sou fumante e não tenho a menor intenção de parar, não é uma questão de fazer apologia ao cigarro, trata-se apenas de ver que não faz o menor sentido esse tipo de proibição. Eu abro mão de frequentar shoppings onde não há sequer uma cafeteria onde eu possa fumar &#8211; aqui em Curitiba isso quer dizer que só tenho duas opções, mas tudo bem, essa é a minha escolha e me basta. Em breve, estaremos fumando escondido no quintal de casa, como quando éramos adolescentes.</p>
<p><i>p.s.: acho que qualquer um que comprar geladeira e carro esse ano deveria começar a bancar o meu cigarro!</i></p>
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		<title>Paladinos</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 13:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
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		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Às vezes, acho que a política internacional parece uma valsa antiga: dois pra lá, dois pra cá, trocam os pares e vamos a rodopiar. Barack Obama liberou as viagens de cubanos residentes nos Estados Unidos para visitar seus familiares e enviar dinheiro ao país natal. Bueno, ha? Não é pouco, pelo que me lembro da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às vezes, acho que a política internacional parece uma valsa antiga: dois pra lá, dois pra cá, trocam os pares e vamos a rodopiar. Barack Obama liberou as viagens de cubanos residentes nos Estados Unidos para visitar seus familiares e enviar dinheiro ao país natal. Bueno, ha? Não é pouco, pelo que me lembro da história, nunca nenhum gesto de mínima gentileza foi feito nos quase 50 anos de embargo. Ao redor do mundo, jornalistas, cientistas políticos, sociólogos e cronistas batem palmas a este belo gesto – enquanto os pseudo-intelecuais dizem que é um absurdo, que Cuba não precisa dos Estados Unidos e blá-blá-blá. </p>
<p>Os especialistas comentam a atitude de Obama e seu mérito em prol da melhor negociação nas Américas, como se fôssemos todos iguais, unidos e superbrothers. Li em algum lugar que o presidente americano <i>deverá comunicar que Cuba precisa se redemocratizar para melhorar a relação com a Casa Branca</i>, ou qualquer frase parecida. Por quê? Com que moral? Não faz sentido querer desativar Guantanamo, mas não desativar porque não querem colocar esses “bandidos” dentro dos Estados Unidos. Ora, por que em Cuba pode? Não faz sentido deixar cubanos visitarem suas famílias, mas não estender a qualquer americano o direito de ir a Cuba. Não faz sentido não ter voo direto EUA-Cuba, sendo a distância de meros 150km. Não faz sentido porque os Estados Unidos da América não são paladinos da liberdade e da justiça. O fato de terem o poder para fazer algo não quer dizer que tenham o direito.</p>
<p>Por outro lado, Cuba é uma ideia poderosa, uma ideologia que vive muito mais naqueles que não a conhecem e nos sonhadores. Eu já falei de Cuba antes, sobre diferentes aspectos, em <a href="http://lomyne.blogspot.com/2004/09/ilha-passei-os-ltimos-20-dias-fora-e.html" target="_blank">setembro de 2004</a> e de novo em <a href="http://lomyne.blogspot.com/2008/04/cuba-est-na-moda.html" target="_blank">abril do ano passado</a>. Ou quem sabe não passe de uma ilhota no Caribe.</p>
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		<title>Minha avó e a reforma agrária</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 17:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<category><![CDATA[reforma agrária]]></category>
		<category><![CDATA[sem-terra]]></category>

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		<description><![CDATA[Cheguei em casa ontem e o Jornal Nacional estava com cara de climão, perguntei para a minha avó o que estava acontecendo e lá vem ela com as explicações: Ah, esse bando de sem-terra, cambada de vagabundo! Invadem e não querem sair! Sabe o que tem que fazer, minha filha? Jogar bomba! Pega os avião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cheguei em casa ontem e o Jornal Nacional estava com cara de climão, perguntei para a minha avó o que estava acontecendo e lá vem ela com as explicações:</p>
<p><i>Ah, esse bando de sem-terra, cambada de vagabundo! Invadem e não querem sair! Sabe o que tem que fazer, minha filha? Jogar bomba! Pega os avião do governo enche de bomba e joga nos acampamentos desses vagabundos, mata tudo e pronto. Aí eu quero ver como é que fica, aí eu quero ver esses caras-de-pau entrar no que é dos outros! Você acha o quê? Que mais algum vai invadir por lá? Tem que passar fogo neles! É essas ocupação de sem-terra e as favelas no Rio de Janeiro, joga uma bomba. Começa pela Rocinha, quem não morrer se muda. E nas outras favelas já já o povo se esperta. Pronto, cabou, problema resolvido. </i></p>
<p>Diante de tudo isso eu tive que rir um monte e dizer que eu quero minha avó para presidente. Eu digo, minha avó me poupa texto&#8230;</p>
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		<title>Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 11:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lomyne</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Existem coisas na vida sobre as quais não podemos ser indiferentes. A batata-quente do momento se chama economia americana. Não dá para fazer de conta que não sabe de nada quando todo dia, todos os noticiários falam de bancos quebrando, subsídios governamentais e bolsas de valores brincando de paraquedismo. Ok, minha tia que só lê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem coisas na vida sobre as quais não podemos ser indiferentes. A batata-quente do momento se chama economia americana. Não dá para fazer de conta que não sabe de nada quando todo dia, todos os noticiários falam de bancos quebrando, subsídios governamentais e bolsas de valores brincando de paraquedismo. Ok, minha tia que só lê a Caras e a Contigo não deve estar sabendo ainda, mas ela não é regra. </p>
<p>O dinheiro está sumindo, as empresas multinacionais são bichinhos bem divertidos, eu acho. Veja a definição que a gente aprende na escola para esta palavrinha: <u>multinacional</u> <i>(adj. 2 gén.) diz-se de empresa que exerce a sua actividade através de filiais ou empresas dependentes, difundindo o seu capital, instalações e atividades por vários países.</i> Ora, nesta caso multinacional é o escambau! Porque então economias ao redor do mundo vêem “multinacionais” retirando divisas dos países? Hein, hein, hein? Esta crise americana só nos mostra algo que já era sabido: uma empresa se espalha pelo mundo para diminuir custos operacionais e maximizar lucros; assim que o calo apertar ela volta bonitinha para sua terra natal e foda-se o resto do mundo. Nossa bolsa reage, o dólar fica na gangorra e a Bovespa cai. Mas não é previlégio do Brasil, não. Na Europa, os efeitos se alastram: a Volvo demitiu 3.000 funcionários e a BMW está em férias coletivas. A recessão está às portas de vários países e o pânico se espalha alardeando o caos.</p>
<p>A <a href="http://depoisdesegundaeterca.blogspot.com/">Paulinha</a> estava me contando por e-mail que nos Estados Unidos a crise está também se tornando um problema de saúde pública, porque as piscinas abandonadas viram paraíso para mosquitos e tchã-nam, epidemia de dengue &#8211; o que vai ter de carioca rindo por dentro imaginando fila em hospital não é pouco! É bom ver o império balançar. Não vai cair de vez, é ilusão crer que a maior economia do mundo atual vai virar uma nova Moçambique. E não vai cair por uma razão bem simples: porque o crack de 1929 ensinou a lição. A única diferença entre aquela crise e a atual é que em 1929, diante das dificuldades e da recessão, bancos, financiadores e governo travaram o dinheiro, não emprestaram, nem subsidiaram nada. Em contra-partida hoje o governo americano está fazendo o que <s>quer</s> pode para liberar o dinheiro necessário. E para se segurar sem se quebrar muito, o Banco Central brasileiro injeta verdadeiras fortunas para o meu ponto de vista e merrecas para eles. Como bom dizia o Jabor ontem de manhã no rádio, crise na bolsa não atinge pobre: <i>pergunte à sua empregada doméstica se ela está preocupada com a crise econômica</i>. E na mesma lógica ele dizia que, ao convidar o Brasil para a reunião o FMI, o que devemos esperar é que os EUA não nos peçam dinheiro emprestado, porque aí sim afundaremos junto com eles. </p>
<p>Mas esquecendo um pouco o meu instinto de sobrevivência e meu discurso anti-americano (que nem é forte, diga-se de passagem), na prática os Estados Unidos estão na merda (procure um eufemismo no dicionário se quiser), o fato é que a frase mais acertada hoje é mais ou menos como apertem os cintos, o piloto sumiu. Eu não sou uma socialista que agora encontra uma oportunidade de esbravejar idéias ufanistas. Pelo contrário, sou orgulhosamente capitalista, mas como alguém que não está no topo, sigo a regra de que alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo.
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