A capa da Playboy de março


Por um acaso da natureza, eu comecei a perder peso. Mentira, não foi por acaso, foi depois de terminar um namoro, porque parei com o ritmo cinema-shopping-gordice inerente aos relacionamentos duradouros. Ao longo dos meses, uma desinchada básica de alguns quilos. Em meio a brincadeiras, comecei a avisar que ainda vou ser a capa da Playboy.

A vida mudou por causa do trabalho e diante do espaço vazio que sobrou na minha vida eu decidi apelar: resolvi começar academia. Responda rápido, quantos absurdos existem nessa frase: eu estou levantando cedo todo dia para ir pra academia e acho lindo. Ok, um absurdo só: o “acho lindo”. Admito que não foi assim só pelo esplendor de uma vida nova, admito que ele teve uma imensa responsabilidade nisso, mas olha, pra mim é uma imensa mudança de ideologia.

Academias sempre sofreram meu preconceito, assim como seus frequentadores mais assíduos. Qual é, sofro um preconceito lazarento por conta do meu jeito de ser, é meu direito ter preconceito quanto a essa galera cujo maior objetivo de vida é ter um corpo escultural. Ser fútil e imbecil é efeito colateral, só que o efeito colateral é o que mais me incomoda.

Fui às compras, gastei os tubos no equipamento mínimo necessário (ou cêis tavam achando que eu tinha roupa e tênis de academia nessa vida?). Engavetei meus preconceitos e fui. Comecei morrendo, mas eu tô pagando essa porra e gastei os tubos mesmo com as paradas, Gomes e Sevulski são testemunhas.

A prof que fez minha avaliação física ficou chocada com meu discurso inicial anti-academia, tamanho era meu horror por essa bagaça (beijo pra Júlia). Então comecei a curtir esse negócio de academia, me empenhei mesmo. Já subi minhas cargas de exercício, já vou aumentar de novo no início de janeiro, já quero aumentar minha série de exercícios, eu realmente to curtindo.

Hoje o resultado é visível. Meu corpo mudou bastante, minhas calças estão folgadas, meus braços mais fortes, eu quase tenho coragem de mostrar minhas pernas! Eu olho no espelho e me acho um espetáculo. É uma revolução física e mental na minha vida.

Além é claro de todo o pacote emocional que vem junto com a mudança física: organizei meus horários; a turma da academia me diverte horrores – sim, pode ficar chocado, eu tenho amiguinhos de academia; tô liberando endorfina aos montes (eu prefiro outra fonte, mas é o que tem pra hoje); tô saindo por aí autoconfiante.

E a parte mais legal é que essa autoconfiança linda me adoçou. Aham, Paloma agora é alguém bem menos ácida. Óbvio que eu não virei meiguice pura, porque né gente, academia num faz milagre. Mas quanta evolução! Mesmo quando vou dormir tarde, mesmo de ressaca, mesmo com preguiça, eu me animo e vou pra academia. A situação é até preocupante, levando-se em conta que meu maior caos pra achar apartamento é porque eu quero ficar perto da academia, vejam só.

Quando comecei com a piada de ser a capa da Playboy, o planejamento inicial era a edição de janeiro. Quando parei de piada e comecei a falar sério, defini que serei a capa da Playboy da edição de março, no máximo abril, isso por causa do tempo de produção deles. O único detalhe é que eu acho que a Playboy não vai querer pagar quanto eu quero… Ou alguém aí tá achando que eu vou cobrar barato?

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  1. #1 by Kellen Bonassoli on 21 de dezembro de 2011 - 11:40

    Dá para sentir daqui tanta meiguice huahuahua.
    Pelamordedeuso não tenhas efeitos colaterais.
    Fique ainda mais gostosa e mantenha a língua solta e o pensamento afiado. ;)

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(não será publicado)