Arquivos de dezembro de 2011

A capa da Playboy de março

Por um acaso da natureza, eu comecei a perder peso. Mentira, não foi por acaso, foi depois de terminar um namoro, porque parei com o ritmo cinema-shopping-gordice inerente aos relacionamentos duradouros. Ao longo dos meses, uma desinchada básica de alguns quilos. Em meio a brincadeiras, comecei a avisar que ainda vou ser a capa da Playboy.

A vida mudou por causa do trabalho e diante do espaço vazio que sobrou na minha vida eu decidi apelar: resolvi começar academia. Responda rápido, quantos absurdos existem nessa frase: eu estou levantando cedo todo dia para ir pra academia e acho lindo. Ok, um absurdo só: o “acho lindo”. Admito que não foi assim só pelo esplendor de uma vida nova, admito que ele teve uma imensa responsabilidade nisso, mas olha, pra mim é uma imensa mudança de ideologia.

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Uma questão de humanidade

Alguns acontecimentos recentes me fizeram pensar pra caralho hoje. Por um lado, nenhum deles foi grave, por outro, a reação das pessoas me chocou completamente. Não sei pra onde vai a humanidade, mas creio que vai mal. Então vamos aos fatos, depois aos comentários.

Fato 1: ontem, uma amiga perdeu o pai. Eu já perdi o meu e sei o quanto isso doeu, meu pai era meu tudo. Fiz questão de ligar pra essa amiga, mais de uma vez, fiz questão de fazê-la sorrir mesmo que por um breve momento. Sei como foi importante pra mim. Uma outra amiga me agradeceu um monte.

Fato 2: hoje, o cara que faz a manutenção da casa chegou aqui com uma cara péssima, cutuquei até saber o que houve, roubaram o 13º dele, o cara ficou sem grana pro Natal. Nem pensei duas vezes, fui ao banco e saquei uma grana, um empréstimo significativo até o início do mês, só pro cara não ficar fudido. Encontrei a prof da academia e comentei com ela, ela achou linda minha atitude.

Fato 3: quando estava entrando no banco, uma mulher ajudava uma cega pela rua, que precisava chegar ao terminal de ônibus. Quando saí, a mulher tinha largado a cega sozinha no ponto. Perguntei se ela queria ajuda, conduzi duas quadras até o terminal e o cobrador me perguntou: não vai entrar? Com olhar surpreso…

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Aprendendo a ser sozinha

Eis um sentimento que me percorre desde menina. Embora não o seja, sempre me senti sozinha. Há muitos anos, aprendi a definir este sentimento como sozinhez, termo descaradamente roubado da doce Mond. Talvez seja a eterna busca por um grande amor, talvez seja minha desesperada necessidade de aceitação nunca preenchida, talvez seja apenas o medo de morrer e ninguém chorar (no fundo, todo mundo tem esse medo). Acabei me acostumando a viver com esta inquietude.

Então há pouco mais de 2 meses eu recebi uma proposta irrecusável de trabalho. Não, ninguém ameaçou a mim ou minha família, a proposta foi realmente boa. Eu aceitei sem pestanejar. Sem muito tempo para a mudança, aluguei um quarto e vim de mala e cuia para Florianópolis. Eis uma das grandes vantagens de ser solteira: é fácil mudar para um lugar novo. Ou pelo menos eu achei que seria.

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