Arquivos de 2011

A capa da Playboy de março

Por um acaso da natureza, eu comecei a perder peso. Mentira, não foi por acaso, foi depois de terminar um namoro, porque parei com o ritmo cinema-shopping-gordice inerente aos relacionamentos duradouros. Ao longo dos meses, uma desinchada básica de alguns quilos. Em meio a brincadeiras, comecei a avisar que ainda vou ser a capa da Playboy.

A vida mudou por causa do trabalho e diante do espaço vazio que sobrou na minha vida eu decidi apelar: resolvi começar academia. Responda rápido, quantos absurdos existem nessa frase: eu estou levantando cedo todo dia para ir pra academia e acho lindo. Ok, um absurdo só: o “acho lindo”. Admito que não foi assim só pelo esplendor de uma vida nova, admito que ele teve uma imensa responsabilidade nisso, mas olha, pra mim é uma imensa mudança de ideologia.

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Uma questão de humanidade

Alguns acontecimentos recentes me fizeram pensar pra caralho hoje. Por um lado, nenhum deles foi grave, por outro, a reação das pessoas me chocou completamente. Não sei pra onde vai a humanidade, mas creio que vai mal. Então vamos aos fatos, depois aos comentários.

Fato 1: ontem, uma amiga perdeu o pai. Eu já perdi o meu e sei o quanto isso doeu, meu pai era meu tudo. Fiz questão de ligar pra essa amiga, mais de uma vez, fiz questão de fazê-la sorrir mesmo que por um breve momento. Sei como foi importante pra mim. Uma outra amiga me agradeceu um monte.

Fato 2: hoje, o cara que faz a manutenção da casa chegou aqui com uma cara péssima, cutuquei até saber o que houve, roubaram o 13º dele, o cara ficou sem grana pro Natal. Nem pensei duas vezes, fui ao banco e saquei uma grana, um empréstimo significativo até o início do mês, só pro cara não ficar fudido. Encontrei a prof da academia e comentei com ela, ela achou linda minha atitude.

Fato 3: quando estava entrando no banco, uma mulher ajudava uma cega pela rua, que precisava chegar ao terminal de ônibus. Quando saí, a mulher tinha largado a cega sozinha no ponto. Perguntei se ela queria ajuda, conduzi duas quadras até o terminal e o cobrador me perguntou: não vai entrar? Com olhar surpreso…

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Aprendendo a ser sozinha

Eis um sentimento que me percorre desde menina. Embora não o seja, sempre me senti sozinha. Há muitos anos, aprendi a definir este sentimento como sozinhez, termo descaradamente roubado da doce Mond. Talvez seja a eterna busca por um grande amor, talvez seja minha desesperada necessidade de aceitação nunca preenchida, talvez seja apenas o medo de morrer e ninguém chorar (no fundo, todo mundo tem esse medo). Acabei me acostumando a viver com esta inquietude.

Então há pouco mais de 2 meses eu recebi uma proposta irrecusável de trabalho. Não, ninguém ameaçou a mim ou minha família, a proposta foi realmente boa. Eu aceitei sem pestanejar. Sem muito tempo para a mudança, aluguei um quarto e vim de mala e cuia para Florianópolis. Eis uma das grandes vantagens de ser solteira: é fácil mudar para um lugar novo. Ou pelo menos eu achei que seria.

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Rock in Rio: eu fui

Existem coisas que todo mundo deve fazer, coisas que dão sentido à vida. As mais famosas são plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Não que eu tenha conhecimento de causa e possa realmente comparar, mas eu gostaria de acrescentar uma: ir ao Rock in Rio. Não ria, é sério. Eu tinha 18 anos, estive em três noites do Rock in Rio e posso dizer com certeza que aquelas noites estarão para sempre entre as melhores da minha vida.

Dez anos depois, ainda me lembro bem da fila homérica para entrar, do calor dos infernos, do cansaço depois de passar 14 horas lá, de toda a poeira tão colada que achei que nunca mais conseguiria tirar, do cheiro, de tudo.

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