Arquivos de março de 2010
Ser mulher é degradante
Em um dos meus blogs, fiz um post sobre os gays no bbb e um amigo deixou um comentário que me fez parar pra pensar:
“sempre lembro da musica da Madonna nesse momento: se uma menina resolve se vestir como homem, tudo bem, mas se um menino resolve se vestir como mulher é degradante, pq ser mulher é degradante!”
Então me vi na obrigatoriedade de concordar, de certa forma, ser mulher muitas vezes é degradante sim. E como sempre existem os defensores do mundo moderno e tolos que acreditam que todas as pessoas se tratam como iguais, vamos aos argumentos:
1. Existe diferenciação no mercado de trabalho, homens ganham mais do que mulheres que exercem a mesma função. Não argumente comigo, o IBGE que disse.
2. As feministas e suas ideias estúpidas de queimar sutiã conquistaram… a obrigatoriedade de trabalhar. A menos que a mulher seja a Paris Hilton ou o marido seja milionário. E ainda assim. Apesar disso, ainda é responsabilidade da mulher cuidar da casa. Por alguma estranha razão, homens consideram que lavar a louça e tirar o lixo se equivale à lista do restante: lavar e passar roupas, faxinar a casa (banheiro incluso), cozinhar, saber minuciosamente onde está tudo e manter tudo em ordem.
3. Mulher: vá a um churrasco familiar e tente chegar perto do clube do bolinha ao redor da churrasqueira. Se for bem-vinda, por favor, me convide para o próximo.
4. Homens têm licença social para jogar futebol e sair com amigos para beber, talvez para mentir também. Mulheres não.
5. Falando em código social, mulheres não podem falar de sexo abertamente, me atrevo a achar que nem gostar de sexo a gente pode.
6. Trair faz parte da natureza do homem, acontece. Mulheres não podem trair, isso é errado.
7. Pega mal pra caralho uma mulher chegar aos 30 anos solteira, precisa pelo menos um namoro sério.
De tudo isso, sei que as mulheres são culpadas – ou, no mínimo, cúmplices. Não estou levantando bandeiras contra estes ou aqueles, só enumerando fatos. É foda ter que admitir, mas se for pensar bem, homens e mulheres acham que ser mulher é degradante.
Em tempo: não venham me dizer coisas do tipo “credo, em que meio você vive?” Olhe pra esses argumentos e pense no grupo de colegas de trabalho ou na sua família. Porque os amigos obviamente a gente escolhe aqueles que pensam como a gente.
Quanto a mim, eu sei que não estou abaixo dos homens, só que eu não posso dizer que não vejo isso acontecer. Pessoalmente, eu cago pro código social e por isso mesmo consigo bater recordes, fico à margem dos grupos de homens e de mulheres.
Cinema, política e ética
2010 começou com a estreia do filme do Lula nos cinemas, o que já é bem discutível. Tenho amigos dizendo que o Lula não é candidato a nada e que isso não tem nada a ver, mas ainda assim, que lançassem em novembro e tudo estaria resolvido. O cinema brasileiro tem o hábito de engavetar lançamentos por muito tempo mesmo…
Às vésperas do lançamento do filme em dvd (programado para 12 de abril), as videolocadoras planejam um boicote, alegando que desde 2005 a pirataria aumentou em 100% e o presidente tem sido negligente neste aspecto. Lembraram também o fato de que o Lula admitiu ter visto 2 Filhos de Francisco antes do lançamento oficial, ou seja, assumiu publicamente que consome pirataria.
Diante de tudo isso, eu não consigo perceber exatamente quem é que está mais errado. Uma produtora de cinema que lança o filme sem pensar na representatividade do seu personagem principal? Isso me parece o absurdo do oportunismo, assim como a própria idéia do filme. Se fosse um projeto isento, seria feito depois que o Lula saísse do poder. Ou melhor ainda, depois de aposentado.
Talvez o mais errado seja o presidente, que entre muitas características é famoso pela sua inocência providencial: não sei, não vi, falei sem querer e por aí vai. O político que permite o lançamento de um filme biográfico em ano de eleição merece ter sua ética questionada. Não, ele não é candidato. E daí? Daí que é exploração da imagem sim e o oportunismo é ba-ca-na!
Ou ainda posso duvidar das locadoras justificando o boicote com um argumento pífio. Porque impedir o filme de chegar às locadoras só vai aumentar a pirataria. As pessoas querem ver o filme e estão no direito delas. Se não puderem alugar, o mercado negro resolve. Ou seja, farão canibalismo de seu mercado só por birra política.
E aí, será que alguém está certo nisso? Definitivamente não.
Veja a notícia do boicote aqui.
Torcedores bandidos
Domingo, dia de clássico do campeonato paranaense. Toda a rivalidade possível em campo pro jogo entre Atlético e Coritiba. Eu estava perto do estádio e teria que utilizar um terminal de ônibus que cruza o caminho de boa parte da torcida. Cheguei lá uma hora e meia depois, tempo mais que o suficiente para evitar a torcida. Ou pelo menos eu achei que seria.
Um amigo me deu carona até o terminal e ao descer levei um susto. A imagem era aterradora: cacos de vidro pelo chão, imagino que estouraram umas três janelas de um ônibus, duas viaturas policiais de saída e uma galera correndo, mais de cem torcedores ostentando sua valentia futebolística. Fiquei do lado de fora, com outras pessoas que também não tinham coragem de entrar. Um menino no portão explicava pra gente umas subdivisões da própria torcida que eu não consegui acompanhar a lógica.
A torcida do Coritiba moeu seu estádio ano passado, perderam o mando de campo por um bom tempo. A torcida do Atlético moeu um ônibus e aterrorizou muita gente no terminal, eu não vejo diferença entre os torcedores dos dois times. Talvez passe no jornal, mas não vai dar em nada. Como se fosse normal isso. De alguma forma, a violência do torcedor virou comum e não está longe o dia em que todo mundo vai chamar de “normal”. Os torcedores se juntam e se tornam uma manada enfurecida que se considera isenta de responsabilidade, simplesmente porque seu time não ganhou. Ontem foi um empate. Não consigo imaginar o estrago em caso de derrota.
Depois que os fanáticos saíram, entrei no terminal. No ônibus pra casa, um cara se orgulhava de ter sentido uma bomba ao lado do seu pé e ter levado uma pedrada no meio da torcida. O amigo concordando e dizendo que isso é massa, que as pessoas não entendem que isso não é violência. Realmente, eu não entendo mesmo. Se isso não é violência eu não sei o que pode ser. Esporte?



