Arquivos de 2010
Fórum de Mídias Digitais e Sociais
Mais uma edição, eu fui de novo. Ano passado eu não sabia o que iria encontrar, se relevância de conteúdo ou umas boas companhias pra balada. Encontrei ambos.
Então este ano fui de novo, correndo, toda animada, porque já tinha uma expectativa animal sobre isso. E não me decepcionei nem um pouco. Estavam lá os mesmos amigos que conquistei ano passado e outros tantos novos que tornaram ainda mais divertido.
Se ano passado eu não estava nem aí para os blogueiros locais, hoje me vejo rodeada deles, se tornaram amigos de twitter, churrascos, bares, enfim, #ebcwb se tornou constante na minha vida. E aí eu volto no mesmo argumento de sempre: online e offline não são coisas distintas, combinar online o que fazemos offline é uma facilidade deliciosa. Assistir palestras excelentes e horas mais tarde passar uma rodada de tequila com os palestrantes é total momento Mastercard. Amanhecer com amigos que vemos raramente, rir, beber, conversar, aprender.
O Fórum de Mídias Digitais e Sociais custou R$ 90,00. Mas definitivamente não tem preço. E ainda vem com uma caneca!
p.s.: esta é minha ótica pessoal, para ver meus comentários profissionais, tem mais aqui e aqui.
Bandeiras Rotas II
Estava conversando com a Claudia Regina sobre milhões de coisas e ela acabou citando o texto de uma blogueira, que continha a seguinte máxima: entre outros motivos, a autora vota na Dilma Rousseff porque a dita cuja é mulher; como uma ação afirmativa do movimento pela igualdade de direitos e oportunidades da mulheres – leia-se movimento feminista. Pronto, entrei em cólicas.
Para começo de conversa, porque este argumento reúne expressões que me irritam até a alma: “ação afirmativa”, “movimento” no sentido de organização social e “feminista”. E para continuar, o significado de toda a frase. Como alguém consegue basear uma decisão tão importante em um argumento tão medíocre? Ou pior: como uma mulher pode considerar o feminismo importante a tal ponto?
O que mais me incomoda no discurso feminista é o mesmo que me incomoda no discurso antirracista, sua absurda inversão de valores. Por exemplo: nos tempos áureos do pagode brasileiro, alguns nomes se tornaram muito famosos: Raça Negra, Negritude Júnior, Só Preto Sem Preconceito. Até aí tudo bem, mas o que aconteceria se criássemos bandas com os nomes Raça Branca, Branquitude Júnior, Só Branco Sem Preconceito? Haveria um verdadeiro chilique midiático por conta disso, por considerar preconceito, quem sabe até uma acusação de neo-nazismo.
O discurso feminista se utiliza das mesmas ferramentas: palavras de valorização, mobilização, etc, etc, etc. Uma mulher pode dizer “eu sou foda porque sou mulher”, é sua forma de ostentar sua igualdade. Um homem, por sua vez, não pode usar uma frase semelhante. Ele imediatamente será acusado de machismo, de querer se dizer superior às mulheres.
Da mesma forma: existe orgulho gay, mas arrisque fazer uma adesivo escrito orgulho hetero para ver. Você será sumariamente acusado de ser homofóbico!
Isso é um absurdo injustificável, um complexo de inferioridade que sempre vai endossar qualquer preconceito que sofram, porque há nestes grupos (negros, mulheres, gays) uma mediocridade de espírito que faz com que mereçam cada grama de preconceito que sofrem.
Eu não voto na Dilma. Não votaria nela em nenhuma circunstância, nem mesmo se ela fosse mulher, negra e gay. Isso não é critério digno de respeito. Para mim, nunca será.
Há seis anos eu escrevi um post explicando porque sou contra o feminismo, é curioso ver que nada mudou no que penso sobre o movimento, justamente porque seu discurso me parece muito mais digno de deboche do que de concordância.
Os idiotas e o aborto
Eu gosto de política. Muito. E eu não sou exatamente uma ingênua no assunto. A questão é que o debate anda no nível das paixões e teorias conspiratórias: e-mails falsos, fofocas, e por aí vai. Eu considero que esse nível de debate é medíocre, e o mais grave é que a mediocridade do discurso se espalha por todos os lugares, parte de quase todas as pessoas, independente de religião ou nível de instrução.
Agora, o ponto crucial do debate é o aborto. E se discute o valor da vida, da crueldade, da religião, dos valores morais e chega que essa merda tá passando dos limites, né? Como crianças que brigaram no recreio, os dois lados se acusam.
Porque colocar a religião no cerne do debate sobre aborto? Favor verificar qualquer doutrina religiosa: quem vai pro inferno – ou coisa parecida – é a mãe da criança, no máximo o pai e o médico responsável. Mas olha gente, dica: o presidente que sanciona a lei não vai pro inferno por isso, nem o ministro da saúde, viu?
Aí eu pergunto: o certo é o quê? Obrigar uma mulher a levar até o fim a gravidez de um bebê acéfalo ou do fruto de um estupro? Deixar o aborto na ilegalidade, para que milhares de mulheres morram ou sofram danos gravíssimos em fundos de quintal?
É tão absurdo misturar as leis e a saúde pública com a religião! Para começo de conversa, estamos em um país laico. E para encerrar o assunto, porque os religiosos são tão contra a legalização do aborto? Afinal, se a legislação permitir o aborto, qual é o risco? Mais mulheres abortarem?
No fundo, acho que o medo dos religiosos é ter que admitir que as pessoas tem mais medo das leis dos homens do que das leis de Deus. Eu até me atreveria a dizer que o objetivo destes religiosos é acabar com o livre-arbítrio!
À propósito, eu não faria um aborto, por conta dos meus valores, da minha religião. Entretanto, considero a ilegalidade perigosa demais para as gestantes. Quase tão perigosa quanto sacerdotes-ditadores.
E que derrube meus argumentos alguém aí que faça sexo somente com finalidade reprodutiva. Não pode ser divorciado e se for solteiro tem que ser virgem. Vou esperar sentada.
Sessão da tarde
Há algumas semanas, tenho mantido o padrão e ir ao cinema na segunda-feira. Mas ontem eu sinto que não fui ao cinema, ontem eu fui ver sessão da tarde em uma tela maior. Porque é isso que Karate Kid é: um excelente filme de sessão da tarde.
Guardadas as devidas proporções – óbvio que kung fu não é karate – Jackie Chan é um bom mestre Miyagi, o herói é um bom menino sem amigos e o vilão é um menino cujo comportamento é resultado do que lhe ensinam, não de uma índole ruim. A moral o filme é simples: não existem maus alunos, apenas maus professores.
Assim como Aprendiz de Feiticeiro, Karate Kid tem gosto de uma tarde infantil jogada no sofá. Aqueles que ficam procurando defeito e reclamando estão fazendo algo muito errado. Karate Kid não é um filme para analisar como adulto e sim para se divertir como uma criança.
p.s.: (spoiler) amei a substituição do bonsai pela jaqueta, até porque eu amo metáforas.



