Arquivos de dezembro de 2009
Polícia para quem?
Para quem não sabe, eu moro em uma casa antiga, daquelas no meio da rua, sem muros. No coração de uma cidade já não tão pequena, Araucária não é mais uma cidade pacífica de interior.
Por volta das onze e meia da noite de ontem, minha casa foi apedrejada. Acabei de contar: foram oito pedras que estouraram três janelas da sala e do quarto de hóspedes, onde meu irmão estava dormindo. Quando tacaram a primeira pedra, eu estava a dois metros de uma dessas janelas. Congelei e só voltei à realidade quando meu irmão apareceu na sala xingando tudo. Segundo ele, eram cinco caras em bicicletas, passaram duas vezes.
Liguei para o 190. Passei meia hora ouvindo musiquinha de espera. Se alguém estivesse ferido, seria meia hora sangrando – acho que dá para morrer nesse meio tempo. Reclamei (claro que eu reclamei, porra, meia hora!) e a filha da puta ainda me diz que não é culpa dela, me manda ligar para o governador. Aham, Cláudia, senta lá.
Algumas rosnadas depois, a filha da puta da atendente diz que está mandando o carro da ronda, que eles estão disponíveis. Faz quase duas horas, ninguém apareceu. No momento, isso quer dizer tem dois PMs gordos assistindo Minorty Report na delegacia enquanto eu não sei se consigo dormir, quem dirá acordar, inteira.
(Pausa) Os filhos da puta acabaram de quebrar mais um vidro. Agora são nove pedras. Isso quer dizer que das duas uma: ou os vândalos estariam presos agora, ou eu teria um vidro quebrado a menos. Mas o filme do Tom Cruise passando na Globo é mais importante.
Como é que eu posso acreditar nessa polícia e me sentir segura? Por saber que ninguém morreu ou está ferido, os nobres senhores da lei não levantam seus rabos das cadeiras.
Diante destes fatos, algum imbecil se propõe a defender a PM? Ok, com quais argumentos?
No momento, estou indecisa sobre a trilha sonora mais adequada: a Veraneio Vascaína do Capital Inicial ou a Polícia dos Titãs?
p.s.: o sangue ainda me ferve nas veias e o susto ainda não passou, mas tem coisa que é melhor escrever na hora. Perdoem-me se este texto ficar mais visceral do que compreensível.
Fórum de Mídias Digitais e Sociais
Curitiba sediou no último final de semana o Fórum de Mídias Digitais e Sociais (FMDS), um evento realizado em dois dias, composto pelo Fórum propriamente dito – com suas palestras e debates pela manhã – e quatro eventos satélite na parte da tarde: SEOCamp, BLOGCamp, PODCamp e ETC_Curitiba. Por serem simultâneos, acabei tendo que escolher onde estaria. Abri mão do BLOGCamp porque eu já conheço um bom tanto e o PODCamp porque não curto muito. Estava fisicamente no SEOCamp e vendo/ouvindo o streaming do ETC_Curitiba.
No FMDS, achei a palestra de abertura com o Ney Queiroz um tanto fraca e eu não duvido que o palestrante venha comentar aqui o mesmo que me disse via twitter: que a plateia era muito heterogênea. Como eu disse no twitter, acho que o cara subestimou a plateia e percebi que boa parte do conteúdo veio do Fórum de Marketing realizado duas semanas antes. Afora isso, todas as outras foram de conteúdo excelente, babei em alguns cases apresentados e os debates foram ótimos!
O SEOCamp, sobre Search Engine Optimization, foi o primeiro realizado no Brasil e me deparei com tantas ferramentas que chega a ser incômodo estar tão perto desta área e ainda ter conhecimentos tão rasos. Para quem quer virar pro-blogger, há um longo caminho a percorrer, mas aqueles que se propõe a fazer isso no meio comporativo estão com a vida bem mais fácil. Não tenho palavras para descrever a qualidade do evento.
Por fim o ETC_Curitiba, Encontro de Twitteiros Culturais de Curitiba. Aí foi que complicou. Porque caí de amores pelo twitter e o debate sobre mídia social no trabalho foi excepcional. Por sinal, Maria Rafart é tão bacana ao vivo quanto pelo rádio. E devo dizer que foi a programação mais organizada, além do que, a Fernanda Musardo é uma flor.
Depois eu faço o post social sobre este evento, que por sinal foi a melhor parte!
Fórum de Marketing UP
Foi no dia 30 de novembro. Já faz um tempinho, eu sei, mas tempo é uma questão de prioridade e eu não vivo disso, então o blog não tem tanta prioridade. Mas vamos ao Fórum de Marketing. Palestrantes internacionais e altamente reconhecidos: Rudolph Giuliani, António Câmara e Miguel Remédio (da portuguesa Ydreams) e Simon Clift (bigboss do marketing mundial da Unilever); além dos brasileiros Guilherme Cunha Pereira (VP executivo da RPC) e Fernando Henrique Cardoso.
A maior lição que fica do evento é a coerência do tema das palestras: todos falaram de liderança, direcionada ao papel de cada um, não como conceito de chefes ou grandes empresas, mas da diferença que podemos fazer estando sempre um passo à frente. Nas palavras do Rudolph Giuliani, a boa liderança é resultado de cinco atividades: ler (se inforrmar), prestar atenção (nas notícias e nas pessoas), escrever (para propagar o que sabemos), debater (trocar ideias) e pensar (muito e com cuidado). E se você é ou quer ser um líder, nunca seja pessimista. As pessoas seguem quem traz soluções, não problemas. Nas palavras do Fernando Henrique Cardoso, ser um líder, diz respeito a ter pulso forte e a tomar as decisões necessárias e convencê-las de que está certo. A credibilidade, a confiança das pessoas são frutos da liderança.
Confesso que fiquei decepcionada com a palestra do Guilherme Cunha Pereira e com os caras da YDreams, eu esperava muito mais. Os portugueses se restringiram a mostrar umas gracinhas tecnológicas que o Youtube já propagou faz tempo e o Guilherme se propôs a defender as mídias tradicionais – ainda assim sem muito empenho. Foi um daqueles eventos que a gente vai, mas dói no bolso por acrescentar quase nada a esta mera assistente de marketing.



