Arquivos de março de 2008

Como saber que você se cansou

É simples assim: quando você fica com preguiça de falar de novo. Diante das pessoas com antolhos você não se dispõe nem a corrigir quando uma anta põe acento na maracutaia, quem dirá a explicar-lhe que se o governo Lula libera loteamento na Amazônia isso não é culpa nem da Globo, nem da Veja, nem do PSDB nem do DEM. E menos ainda representa o fracasso do Paulo Henrique Amorim, do Mino Carta ou a omissão do Alberto Dines. Aliás, se quem lê isso aqui não sabe quem são os dois últimos que citei, merece mais o meu respeito do que o bando de idiotas a entupir minha caixa de e-mails. Definitivamente eu preciso trocar meus grupos de discussão! Como é que pode ter gente que diz que o coitadinho do Lula é perseguido? O Fernando Henrique era um cara investigado para mostrar os podres, mas o Lula, ah, coitadinho, só perseguem ele e sua competentíssima(?) equipe… blá, me poupem! Vou me abraçar de novo nos moinhos de vento que eu ganho mais.

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Sobrou alguma coisa…

Depois de muito me estressar e irritar com perda de conteúdo em servidores free, eu decidi ser prática. Vai demorar um pouco, mas vou deixar aqui todo o conteúdo do Reticências… que ainda tenho guardado. Por causa de gentilezas do weblogger e de outros servidores de bosta, perdi os posts originais de quatro meses, mas a partir de agosto de 2002, eu tenho tudo numa pasta velha. Os posts escritos por mim, na época assinando Rê Ticências, vão ficar como Lomyne mesmo e quando forem de algum convidado eu emendo na assinatura. Vou manter as datas originais e nem a pau que vou me dar ao trabalho de verificar cada link se ainda está disponível.

update: Agosto de 2002 já está todo aí, agora faltam sete meses de arquivos… Outro dia eu continuo, deu preguiça agora. E não, eu não tenho mais o que fazer além de ficar mexendo no template.

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Um ano

Passa-se o tempo e a dor que por vezes sangra torna-se brisa. Mas não aquela brisa do mar, que alivia o calor. É aquela brisa de Curitiba, que circula sob o sol do inverno que chegará logo, gélida e cortante no rosto enquanto protejo o parco calor de meu corpo em um casaco de lã.

Assim como o clima, a distância não é amiga. Um ano se passa, em que sequer pude deixar flores no túmulo, não que fosse possível aos mortos sentir o cheiro delas. Também um ano em que não fui na igreja solicitar uma missa, mas esta parte se entende fácil, visto que o catolicismo não é nossa Fé. E bem sabem todos que não sou muito de me importar com os valores da sociedade, aquele que se foi sabe mais ainda.

Neste sábado, prometo ver o pôr-do-sol como fiz a um ano atrás, no mais belo dos enterros que já vi, no entanto sem chorar como fiz naquele dia e como faço enquanto escrevo. [pausa por perder o controle] Choro copiosamente em minha mesa de trabalho, tendo por perto um abraço amigo perfeito e sincero, mas que não me basta. Escrevo porque sei que até o último dia de vida, mantinha perto de si meu texto sobre as Asas que me deu. Escrevo porque não quero nunca esquecer das últimas palavras que lhe disse em vida: Tchau, pai. Eu te amo. E trate de melhorar, porque você ainda tem uma filha para levar ao altar.

Algumas pessoas como ela vencem o câncer e outras, como eu, sofrem perdas irreparáveis. Não, eu não perdi a batalha. O câncer levou meu pai um ano atrás, mas nunca será capaz de levar meu amor por ele. De toda forma, eu sei que para ele o passo foi adiante na evolução do espírito. Só que para mim, isso consola, mas não cura. Sentir falta é para sempre. Essas são as palavras impressas em minha alma até que ela esteja perto da dele novamente.

Sereníssima
Legião Urbana

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou – quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

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Momento diarinho XII

Estou triste. Não hoje, já faz uns dias. Pra ser justa, acho que me tornei triste. Ontem à noite eu chorava. De saudades, de cansaço, de sozinhez, de medo, de preocupação, chorei de tudo. A vida tem seus ciclos, eu sei. E não está nada tão ruim assim, eu sei também. Daqui a pouco tudo se ajeita, também sei.

Mas se teoria eu vou bem, de prática não garanto nada. Lembra daquele sorriso largo? Pois é, saiu de férias com as piadas cínicas. E ainda o espírito de se divertir acima de tudo casou com a disposição de ir a qualquer lugar e os dois se mudaram! Eu fico pensando que mais cedo ou mais tarde as coisas se ajeitam e isso me acalma, mas a verdade é que eu queria que tudo se ajeitasse agora!

Será que é pedir muito ter disposição pra me divertir, grana pra isso e também pra comprar minhas coisinhas e um amor por perto? Do meu pacote de sonhos, no momento tenho os amigos para todas as horas e a saúde, mas que anda meio fraquejada por causa da proecupação.

No final das contas, tenho duas opções ridículas: ou estou com stress ou com depressão. Se eu chegar a síndrome do pânico, aí sim é fim de carreira. E antes que alguém se meta a dar conselho bosta, eu não vou fazer terapia nem fodendo. Outro dia eu explico porque me nego a fazer terapia.

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