Arquivos de 2008

Isso não é um cachimbo

Já faz um tempo que ando a me coçar com blogs. Fico sabendo pelos feeds de jornais ou de blogs e algumas vezes por e-mail de coisas totalmente sem sentido: atividades em comunidades do Orkut “comente no blog acima”, postagem imbecil do tipo “eu quero subir no ranking do blogblogs” (que por sinal eu demorei para lembrar o nome, só ficava pensando que é aquela porra daquele indexador verde-limão), blogueiros matando por pontinhos no DiHITT, ampliação de tags/marcadores só para aparecer no technorati e por aí vai. (Nota: se você aí lendo este post não faz idéia do que são estas coisas, te respeito mais do que respeito a Rosana Hermann. E se você nem sonha quem seja a Rosana Hermann, eu te considero pra caralho!)

Mas eu dizia que estou a me coçar com blogs. É que eu quero dizer aquelas coisas que fazem as pessoas me chamarem de babaca e daí eu me acovardo. E vou deixando na gaveta. Até que de repente, não mais que de repente, a Luma salva meu dia, deixa a bola quicando na área e eu vou chutar pro gol. Porque agora simplesmente deram um nome para o que eu considero um bom blog. Slow blog. Escrever quando der, ler quando puder. Mais que isso: escrever bem e ler com atenção. Pensa aê: se você parasse de comentar em qualquer blog imbecil, deixasse de linkar qualquer idiota que pede e nunca mais fizesse um post do tipo “olha que vídeo legal, beijomeliga”, o que aconteceria com seu blog? Levanta a mão todo mundo que pensou nossa, seria o fim do meu blog. Que merda, hein?

Slow blog, pelo que eu entendo, é cagar e andar para o fato da Britney Spears estar sem coreógrafo para a turnê nova, é pular os temas batidos como por exemplo o Oriente Médio (alo-ou, nêgo se mata naquelas terras há sei lá quantos mil anos, fica até feio você se compadecer só dos que morreram na semana do Natal!), é saber que chupar vídeo de blog alheio é uma estupidez. Porque uma coisa é trackback, fazer um post próprio sobre um assunto que você viu em outro blog e colocar a sua opinião, beleza, normal. Mas daí a copiar um vídeo e nem contar a fonte, porra, quanta imbecilidade.

Isso não é um cachimbo, é um objeto de comunicação. Ter blog é produzir conteúdo, blogueiros não são máquinas fotocopiadoras. Para 2009, eu desejo honestamente uma blogosfera pensante, com menos mimeógrafos (num sabe, vai pro Google ou se mata). Desejo que erros de português sejam bloqueados por proxy e que gifs animados sejam bloqueados. Desejo também fornecer curso gratuito de bom gosto para o grande percentual da blogosfera que não sabe combinar cor. Ah, desejo também um montããããããão de Slow blogs por aí e se possível desejo ter tempo para bloggar.

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Notas mentais

Ao chegar em casa, depois de umas horas no shopping center:

1. Ir a um shopping gigantesco serve para lembrar quão gigantesco é meu ódio a shopping.
2. Quando as pernas começam a reclamar de tanto ficar em pé-abaixa-levanta, é hora de sair da livraria.
3. Se a conta na livraria ultrapassar duzentos reais, dividir em prestações para passar meses se lembrando de que não posso entrar em livrarias.
4. Lojas de presentes e quiquilharias definitivamente não deveriam ter vitrines.
5. Na próxima vez que pensar em jantar camarões, lembrar de que lá só tem Pepsi.
6. Os vícios mudam com o tempo. Depois de comer, sair do shopping para fumar é mais urgente do que tomar um sorvete do McDonald’s.
7. Optar por ir ao shopping na segunda-feira para evitar crowd não faz a menor diferença perto do natal.

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Ah, Curitiba…

Esta maravilhosa terra em que dia quente de verão não é pleonasmo! Aliás, dia quente de verão por aqui é uma coisa bem rara…

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O Ovo, uma fábula corporativa

Eis que a granja multinacional decidiu que não adiantava mais trabalhar com marketing sobre peito de frango desossado, afinal, existe toda uma gama de animais que nascem do ovo. A idéia era explorar todas as possibilidades, fazer uma ação inovadora, centrada no ovo. Fez-se uma reunião interdepartamental, de auxiliares de marketing ao presidente da empresa para bolar a estratégia sensacional. Não havia como falhar, um leque de opções destes certamente seduziria o cliente a comprar mais e mais e mais. E a melhor parte, a ação foi programada para três mercados, com uma penetração impressionante. Seria o mais novo caso de sucesso da empresa.

Três reuniões e dois dias depois, a pobre coitada designer recebe a solicitação, texto perfeito e aprovado por todos os níveis gerenciais. Prepara um layout adequado para três mercados, respeitando suas semelhanças e diferenças. O resultado ficou sensacional, exclamava aos quatro ventos: “OLHEM O OVO!” Mas houve uma idéia diferenciada, brilhantemente bolada pela supervisão, solicitando mais detalhes. Deveríamos dizer “Olhem o ovo, dele se pode fazer ovos fritos, bolos, desossar e cozinhar ou ter o galo vivo como despertador!” E lá foi a designer colocar tuuuuudo isso bem nítido na campanha. Deixou tudo pronto, preparou aquela ação sensacional (como cabia no briefing) e na hora de colocar os links, eis que a inovação chega ao seu auge de resultado: vem o memorando para avisar que de tudo aquilo que vem do ovo, a única coisa que vendemos é a galinha, congelada e desossada, dali é que o cliente decide o que fazer.

Aí fica aquela pobre designer, depois de readequar a linguagem quatro vezes a se perguntar: se só vai vender o frango desossado, para que falar do ovo, hein?

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