Arquivos de 2007
Amanhecer
Eis que de alguma forma o ciclo se fecha e a vida encontra um ponto em que podemos enxergar a mudança de etapa. Meu pai faleceu, minha pós-graduação tem me exigido muito e uma nova etapa no trabalho traz um monte de novidades e algumas coisas que não são novas, mas que eu estava cheia de saudades. De repente, o bichinho morando no espelho – tempos atrás eu comentei que não andava reconhecendo – começa a ter forma. Por um lado, velhos traços da minha personalidade que eu achei que não veria nunca mais andam por perto, por outro, esse tempo todo que passei sendo atropelada pelo tempo e muitas vezes pela falta dele me fez ver a urgência de parar para pensar. E parar para pensar é um recurso raro de uns meses para cá.
Nos devaneios que foram possíveis nos últimos dias, me dei conta de como certas coisa são passageiras e outras duradouras. Em um contato com alguém outrora muito especial há questão de um mês aliei ironia com brincadeira e me apresentei como se fosse a primeira vez para o homem que me conhece mais do que qualquer outra pessoa, alguém que hoje eu não reconheço. Por outro lado, mensagens no celular reavivam um carinho sincero que eu pensei ter perdido. E que ficou longe, como toda balança bem equilibrada de minha história, sempre pendendo pro lado em que vejo o que perdi.
Algumas coisas se parecem com velhos filmes, como que embaçadas e deslocadas. Assim são as sensações dos que foram, dos que permaneceram, dos que ressurgiram. Mas essa impressão de deja vu tresloucado piora diante das situações. Eis que se reabre diante de mim, em letras garrafais, o estilo de vida que construiu Rê Ticências. É, pois é, Rê Ticências é/foi fruto de um estilo de vida, por sinal uma forma de viver que continha insônias freqüentes e imensas sensações de sozinhez, como diria xuxu. E cá estou, depois de uma noite em claro, a escrever tolices em minha casa, como Ana a rabiscar suas paredes, como um tímido brincando de ser deus, como velhas fanfarras muzikais, enfim, como sempre, a cuidar de minha casa totalmente displicente. Como eu, como sempre.
Boletim da Pós-graduação II
Por Lomyne em rapidinhas, dia 19 de maio de 2007
O futuro chegou! Eu estou assistindo aula com o Senhor Spacely. Sim, sim, aquele mesmo chefe do George Jetson. Se bem q falta aquele barulhinho das espaçonaves pra ter certeza absoluta…
Pseudo-intelectual na prática
Mais do que burrice, gente que quer bancar inteligente me irrita. Eu os chamo de pseudo-intelectuais, um grupo cujo mascote deve se parecer em muito com um antigo colega meu de trabalho, que usava sempre calças jeans, camisa de manga curta por dentro da calça, suspensórios combinando com os sapatos, barba aparada e uma cigarrilha a acompanhar as abobrinhas que saem de sua boca pausadamente, como se a forma de falar fosse capaz de convencer alguém de que o que se diz é verdade…
Pensando bem, deve funcionar, porque conheço um monte de idiotas que acreditam. Se bem que os idiotas que acreditam não são meu foco no momento. Hoje o palco é para aqueles que são verdadeiras mulas para mim e no entanto têm plena convicção de que sabem mais do que as pessoas à sua volta. E para a cobaia desta noite, conto-lhes a historinha da moça à minha direita. Por uma questão de educação, não vou dar nome aos bois.
A figura:
Linda e loura, na flor da idade, de índole duvidosa segundo as más linguas, estudante de jornalismo, estagiária de pouca competência, uma séria concorrente a apresentadora de telejornal – leia-se bonitinha que sabe ler tele-prompter – apanha até mesmo da formatação do word, imagina redigindo! Você imagina e eu convivo, tenha pena de mim. Pelo menos trabalhamos na mesma sala, mas fazemos coisas díspares.
Boletim da Pós-graduação
1º Dia: ônibus e hormônios. Não sei bem o que acontece, perdi a paciência, eu acho. De volta ao tumulto de corredores, ao som agudo das vozes de 17 anos, aos toques de celulares medonhos, àquelas paredes cheias de aviso tipo festa pré-calouros, festa calouros, festa integrada universidades, etc.
Moral da história: não tenho mais paciência com aqueles hormônios à flor da pele e seus agravantes de concentração dentro do ônibus. Preciso comprar um carro, será que fazem uma vaquinha pra mim?



