Arquivos de 2004
Morte
Eu encaro a morte muito tranqüilamente – ou pelo menos penso que é tranqüilo o meu modo de pensar -, apesar d’as pessoas costumarem me dizer que sou conformista demais… O fato é que acho que ninguém vai antes do tempo e acho péssima essa ladainha de chorar em cemitério, velar os corpos várias horas a fio e coisas do gênero.
Hoje eu estava no cemitério do Caju, no Rio, olhando aquele céu azul com nuvens de porcelana de vez em quando interrompido por lindas imagens de anjos e outras esculturas e pensando, mais uma vez, que não há motivo para tanto dramalhão sobre a morte, tanta choradeira e caras tristes. Sem contar que quase metade dos presentes não está tão triste assim… Eu nem mesmo fiquei muito tempo dentro da capela, porque aquele clima me agoniava.
Eu já decidi que quando eu morrer o velório vai durar uns 40 minutos, no máximo, e logo depois vai rolar uma festa. Uma festa pra galera se divertir e se acabar pensando que só eu mesmo pra ter uma idéia assim. Acho uma boa idéia, porque não existe motivo para chorar a partida de alguém, já que com certeza foi para um lugar melhor (pelo menos eu garanto que vou para um lugar melhor) e ficar se lamuriando só vai encaroçar a jornada da alma e acaba por demonstrar mais auto-piedade do que qualquer outra coisa. Sei não, mas desconfio seriamente que a morte é bem menos complexa do que todo mundo pensa…
Fim de ano
Então é Natal e rola aquela obrigação social de dizer alguma coisa melosa para Deus e o mundo. Mas eu não sou assim tão natalina, essa não é minha religião e eu tenho reclamações sobre quase todos os natais da minha vida, porque em quase todos eles eu tive que aturar alguém que eu não queria ver nem pintado de ouro. Então sei lá se é exagero meu, mas o fato é que Natal me cheira a hipocrisia, tanto familiar quanto social.
Mas lá no começo eu dizia que é a época de dizer alguma coisa legal pra todo mundo, então eu acho legal dizer que independente de tudo e apesar de qualquer coisa, vale a pena aproveitar as festas de fim de ano sem a menor moderação – exceto as festas de natal no trabalho, nestas, peloamordedeus sejam moderados, ajuda a manter o emprego no ano seguinte…
E assim que as esbórnias natalinas acabarem, estou viajando de férias, de mala e cuia para Curitiba e de lá para o litoral, por tempo indeterminado (o que deve significar umas 3 semanas, mais ou menos). Noutras palavras, depois destas palavrinhas natalinas, post mesmo só quase no final de janeiro.
Atenção, isto é um blog às moscas!
Ah, deu para notar, é? Desculpem, pensei que eu estava sendo discreta… É que de repente é tanta coisa que começa a ser complicado qualquer coisa. Escrever não está sendo muito possível, parece que ano quase curada deste meu vício que carinhosamente chamo de cybervida.
Mas percebam bem, eu disse quase. Como vou dizer que não sou dependente disso se ainda outro dia fiz um malabarismo homérico só para poder passar uma tarde com este menino. Olha, malabarismo merecido. Porque ele é realmente tudo que pela net ele parecia ser. Eu queria ele pelo menos uma semana aqui pertinho de mim, só para poder conhecer de verdade alguém que já conheço há tanto tempo…
P.S.: não está dando tempo de ver blogs, nem e-mails engraçadinhos, nem orkut, nem nada… Quando a vida real der uma folga eu volto. Por enquanto, esses dias sobrecarregados têm sido muito divertidos…
E por falar em saudades, onde anda você?
Pois é, meu último período de posts sequenciais deve ter sido em agosto, mais ou menos. E pelo que consta na minha caixa de e-mails, no meu scrapbook do orkut e aqui nos comentários, posso dizer que há um certo clima de curiosidade sobre meu paradeiro. Para dizer onde estava, preciso dizer em que acredito, tenham paciência.
A minha Fé veio para o Brasil nos navios negreiros e quando desembarcou deu origem ao candomblé, à umbanda e outras intermináveis variações. Mas foi de lá do outro lado do Atlântico que veio e é sobre a cultura pura de lá que vou falar.
Começo com um esclarecimento básico: de acordo com o culto africano, Deus é um só, chamado Olodumare, em bom português significa o senhor do céu. Mas então o que são Orixás? Os Orixás são as personificações das energias da natureza, partes dos reinos animal, vegetal e mineral. São forças naturais que não podem ser controladas, mas podem ser direcionadas a trabalhar de acordo com a nossa vontade, desde que sejam feitos os rituais e oferendas necessários. A identidade destas energias (Orixás) são contadas através de lendas passadas de geração em geração e nos ensinam a lidar com estas energias e com o comportamento de seus filhos.
Não existe magia branca ou negra, a magia trabalha de acordo com o que você invoca, o importante é a intenção de quem pede e é isso que muitas vezes acaba com a imagem da minha Fé. Entretanto, existe (e impera) a lei do retorno: o que desejares aos outros, a ti também será dado; sejam coisas boas ou sejam coisas ruins, a vida te devolverá.
Quando uma pessoa deseja (e merece) se dedicar profundamente à religião, ela precisa passar por alguns processos, um ritual de iniciação. E existe uma equipe de pessoas que tornam uma iniciação possível. Agora cheguei ao ponto que eu queria: eu estava esse tempo todo em uma Casa de Culto aos Orixás, trabalhando nas iniciações de várias pessoas. Acabamos de encerrar o último trabalho deste ano.
A quem interessar possa, este período me fez muito bem, porque lá fico completamente alheia ao mundo e é muito bom poder olhar as coisas com calma, já que lá o mundo gira noutra velocidade. Sem contar o crescimento espiritual que tem sido muito bom para mim e foi muito conveniente emendar de um emprego na área de comunicação direto para um trabalho muito, muito sublime. Mas a temporada está encerrada pelo menos até abril.
Que todos nós sejamos abençoados, cada qual de acordo com o que acredita.



