Arquivos de março de 2003

4 dias

Esse é o tempo que estou ‘fora do fuso’. Quinta, chopada da faculdade no lugar mais derrota do Rio; sexta sinuca madrugada a dentro, com direito a ótimas companhias e dois novos amigos; sábado, aniversário com direito a esticada para uma adega e posterior passada do hospital para curar um porre alheio; domingo, dia de hibernar e voltar para casa, enfim. Fazia tempo que programas tão simples não me divertiam tanto…

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Eu já…

…fui agredida fisicamente por conta de um mal entendido.
…beijei na boca de um desconhecido.
…corri atrás de um homem, literalmente.
…chorei por estar de porre.
…ataquei uma torta de chocolate inteira em plena madrugada.
…fui tímida.
…fui mais escrota.
…achei que não valia a pena viver.
…achei que deveria matar uma pessoa, qualquer uma.
…quis demais alguém.
…magoei um anjo.
…fiz uma proposta muito indecente a um homem.
…fiz uma proposta indecente a uma mulher.
…deletei um blog por gostar demais dele.
…mandei foto por e-mail pela internet.
…perdi meu tempo pensando se as facas ginsu cortam as meias vivarina.
…fui especial para quem ainda me é especial.
…briguei com o cara da banca de jornal porque não tinha TPM lá.
…tive um teto preto.
…saí do trabalho às lagrimas.
…recebi cantadas por causa da minha voz ao telefone.
…falei menos palavrões.
…caí da escada no colégio, em pleno recreio.
…morri de ciúmes de uma amizade.
…bebi muito sozinha para afogar os problemas.
…agredi muito minha mãe.
…chorei no cinema milhões de vezes.
…pulei o muro do colégio para comprar vinho.
…matei aula na piscina abandonada.
…fumei bagulho atrás do Fórum.
…pedi perdão por erros que não cometi.
…vivi um amor grande hotel.
…ignorei quem tinha meu coração por conta de uma mágoa.
…fui chamada de puta, grossa e ridícula.
…tive um namorado só para não estar sozinha.
…roubei a chave de casa.
…me diverti com um homem em tentativas fracassadas de me cantar.
…me queimei fritando hambúrguer.
…carreguei caixa de som debaixo de chuva.
…fiz parte de um coral.
…perdi a noção do perigo.
…me humilhei por acreditar que era o cara certo.
…acreditei no amor.
…tentei parar de fumar.
…fui acordada com beijo na boca.
…mudei tudo na minha vida para fugir de uma pessoa.
…mudei tudo de novo para ver se encontro a pessoa certa…

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Talvez Anarquista

A anarquia realmente é uma ideologia maravilhosa e sedutora, embora eu não acredite na sua implementação como forma de organização social. Não acho que a anarquia consiga transpor alguns dos grandes defeitos humanos – ambição, inveja, soberba -, assim sendo não há forma de fazê-la funcionar sem uma pequena grande evolução da espécie. Existe um texto do John Moore, chamado “O Apelo da Anarquia”, que transcrevo abaixo. Ele retrata a anarquia como eu acredito que ela seja, como eu espero que um dia seja possível e como eu a cultuo, segundo a forma ritual ali descrita, sempre que meu instinto diz ser necessário. (P.L.U.R.)

Sempre que vocês precisarem de alguma coisa, uma vez por mês, durante a lua cheia, presenteiem-se com um lugar selvagem – uma floresta, uma praia – pois o estado de Natureza é uma comunidade de liberdade. Reconheçam a iminência da liberação total, e como um sinal da sua liberdade, fiquem nus em seus ritos.

Dancem e cantem, riam e brinquem, comam as frutas da terra, deliciem-se com o meu corpo, façam música e amor. Todos os atos de prazer são meus rituais. Eu sou aquela que vocês encontram na satisfação de seus desejos. Eliminem toda a autoridade, raiz ou coesão. Compartilhem tudo em comum e decidam através do consenso. Abalem os personagens e armaduras que os restringem. Deixem que as energias mais selvagens tomem conta de vocês.

Formem um círculo mágico, entrem no transe do êxtase, revelem-se na fonte de onde jorra todo o poder. Mas não cometam sacrifícios. Repudiem o sofrimento, a exploração e a humilhação. Prefiram venerar todas as criaturas e as respeitem como diferentes – e iguais – a vocês.

Então a transformação total se torna possível. Este ritual deve continuar até que eu, a Anarquia, me torne possível.

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Variações do mesmo tema sem sair do tom

Hittler se tornou uma lenda. Porque era nacionalista, porque era ambicioso, porque era responsável pelo país e principalmente porque era capaz. Hittler era um monstro e um grande estadista, um conquistador capaz de passar por cima de qualquer um que se metesse em seu caminho. Não sou da opinião de que os fins justificam os meios, até porque os meios errados que Hittler usou se restringiam ao anti-semitismo e à crença numa raça superior. Bush pensa como Hittler pensava e com certeza não aceita tal comparação. Eu também não aceito por dois motivos: o Bush não tem metade da inteligência do Hittler e eu respeito demais Hittler, por sempre encará-lo como mais do que um assassino. Ele também o foi, mas não foi apenas isso.

Eu sou consumista de sites de notícia com opinião, ou seja, sou uma viciada em NoMínimo e foi lá que me deparei com algumas informações que fazem a gente se segurar na cadeira e pensar um bocado. Estamos vendo a guerra do jeito mais grotesco: através de uma câmera controlada por um computador, não há nada de humano naquela forma informação. Se bem que também não há nada de humano na atitude do presidente do mundo, não há nada de humano em saber conviver com a ONU, não há nada de humano na terra do hambúrguer. Nos E.U.A., não há humanidade em quase nada e em quase ninguém. Boa parte das pessoas por ali acreditam que vale perder a liberdade em nome de uma pseudo-segurança, não enxergam quase nada além de seu próprio umbigo e não conhecem com muitos detalhes a sua própria história. Mil perdões aqueles que gostam de americanos, mas eles não merecem meu respeito. Penso assim em parte pelo que são e acreditam e em parte principalmente pelo que representam e propagam.

Para quem está vendo pela TV, aqui no Brasil, eu pergunto: em que(m) vocês acreditam? Acreditam nas imagens de Iraquianos se rendendo? Acreditam nos helicópteros que Saddam diz que derrubou? Melhor, vocês ainda acreditam na mídia???

Bush está resumindo tudo que acontece em “bem” e “mal”, eu acredito que os homens não são só bons nem só maus, ser humano é conter os dois lados e saber conviver com eles. Não acho legal ter que escolher, não é possível que ser contra a guerra (na cabeça dele contra democracia, liberdade e paz) signifique ser a favor de Saddam (que na cabeça dele significa ser a favor do terrorismo). Isso é ser muito estreito mentalmente, isso é pura e simples burrice. Se bem que tem gente que chama de propaganda de guerra… Para encerrar, minha frase favorita: certo e errado é só uma questão de ponto de vista.

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