Bando de mulher recalcada

Uma das muitas coisas que eu sou completamente incapaz de entender: as mulheres modernas. Estamos em 2012 e – fim do mundo ou não – as mulheres continuam com mentalidade tacanha, fazendo discursos patéticos, repletos que queixas que considero dignas de piadas há mais de 50 anos. Quanto mais eu vejo o comportamento médio, mais eu me choco. Não consigo parar de repetir: bando de mulher recalcada.

Não, eu não estou falando das minhas amigas, porque né, gente, tenho um mínimo de critério pra chamar de amiga. Estou falando das toneladas de compartilhamentos em Facebook, Twitter, Tumblr e blogs. São mulheres com quem tenho baixo envolvimento, mas que representam o valor médio da sociedade. Não entendo certas linhas editoriais e argumentos, como por exemplo…

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A capa da Playboy de março

Por um acaso da natureza, eu comecei a perder peso. Mentira, não foi por acaso, foi depois de terminar um namoro, porque parei com o ritmo cinema-shopping-gordice inerente aos relacionamentos duradouros. Ao longo dos meses, uma desinchada básica de alguns quilos. Em meio a brincadeiras, comecei a avisar que ainda vou ser a capa da Playboy.

A vida mudou por causa do trabalho e diante do espaço vazio que sobrou na minha vida eu decidi apelar: resolvi começar academia. Responda rápido, quantos absurdos existem nessa frase: eu estou levantando cedo todo dia para ir pra academia e acho lindo. Ok, um absurdo só: o “acho lindo”. Admito que não foi assim só pelo esplendor de uma vida nova, admito que ele teve uma imensa responsabilidade nisso, mas olha, pra mim é uma imensa mudança de ideologia.

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Uma questão de humanidade

Alguns acontecimentos recentes me fizeram pensar pra caralho hoje. Por um lado, nenhum deles foi grave, por outro, a reação das pessoas me chocou completamente. Não sei pra onde vai a humanidade, mas creio que vai mal. Então vamos aos fatos, depois aos comentários.

Fato 1: ontem, uma amiga perdeu o pai. Eu já perdi o meu e sei o quanto isso doeu, meu pai era meu tudo. Fiz questão de ligar pra essa amiga, mais de uma vez, fiz questão de fazê-la sorrir mesmo que por um breve momento. Sei como foi importante pra mim. Uma outra amiga me agradeceu um monte.

Fato 2: hoje, o cara que faz a manutenção da casa chegou aqui com uma cara péssima, cutuquei até saber o que houve, roubaram o 13º dele, o cara ficou sem grana pro Natal. Nem pensei duas vezes, fui ao banco e saquei uma grana, um empréstimo significativo até o início do mês, só pro cara não ficar fudido. Encontrei a prof da academia e comentei com ela, ela achou linda minha atitude.

Fato 3: quando estava entrando no banco, uma mulher ajudava uma cega pela rua, que precisava chegar ao terminal de ônibus. Quando saí, a mulher tinha largado a cega sozinha no ponto. Perguntei se ela queria ajuda, conduzi duas quadras até o terminal e o cobrador me perguntou: não vai entrar? Com olhar surpreso…

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Aprendendo a ser sozinha

Eis um sentimento que me percorre desde menina. Embora não o seja, sempre me senti sozinha. Há muitos anos, aprendi a definir este sentimento como sozinhez, termo descaradamente roubado da doce Mond. Talvez seja a eterna busca por um grande amor, talvez seja minha desesperada necessidade de aceitação nunca preenchida, talvez seja apenas o medo de morrer e ninguém chorar (no fundo, todo mundo tem esse medo). Acabei me acostumando a viver com esta inquietude.

Então há pouco mais de 2 meses eu recebi uma proposta irrecusável de trabalho. Não, ninguém ameaçou a mim ou minha família, a proposta foi realmente boa. Eu aceitei sem pestanejar. Sem muito tempo para a mudança, aluguei um quarto e vim de mala e cuia para Florianópolis. Eis uma das grandes vantagens de ser solteira: é fácil mudar para um lugar novo. Ou pelo menos eu achei que seria.

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